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Uiramutã: comunidades indígenas recebem serviços de saúde

População teve atendimento em saúde e palestras - Fotos: Charles Wellington

População teve atendimento em saúde e palestras – Fotos: Charles Wellington

Pela primeira vez, o Chame – Centro Humanitário de Atendimento à Mulher -, da Assembleia Legislativa de Roraima, levou atendimentos para dentro das comunidades indígenas. A interiorização das ações iniciou por comunidades do município de Uiramutã, na Terra Indígena Serra do Sol, nordeste de Roraima. A ação, organizada pelo Centro de Apoio às Câmaras (CAC), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), fez mais de 100 atendimentos, em parceria com a Liga Roraimense de Combate ao Câncer, dias 24 e 25 de abril.Mais de 200 indígenas participaram dos dois dias de eventos. Foram realizados 84 exames clínicos da mama, 19 preventivos (exame Papanicolau), palestras sobre violência doméstica e familiar e orientações em geral com equipes do Chame e da Liga de Combate ao Câncer, além de distribuição de preservativos. Três mil folders educativos sobre cânceres de mama e de útero e alimentação saudável para promover saúde, também foram distribuídos.

No primeiro dia, a ação se concentrou na comunidade indígena do Flexal, distante uns 30 minutos da sede de Uiramutã, com a participação de moradores de cinco comunidades: Santa Creuza, Santa Luzia, Nova Vida I e II e Arapá.  No sábado, 25, os atendimentos foram na Água Fria, aproximadamente 76 km da sede, com a participação de moradores de 10 comunidades: Tamanduá, Caraparú I, Uarumadá, Caju, Meró, Taboca, Pedra Preta I e II, Vida Nova.

O vice-coordenador da Sodiur (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima), Abel Barbosa, destacou a necessidade de levar palestras e exames para dentro das comunidades, em especial para orientar os indígenas quantos a prevenção do câncer. “Essa ação é importante para as mulheres que não têm como sair da comunidade para cuidar da saúde, pois quando chega na Casai (Casa de Apoio à Saúde Indígena) é muito tempo para marcar exames, e por isso, é importante as equipes estarem aqui”, analisou.

Para a deputada Lenir Rodrigues (PPS), a interiorização das ações coincidiu com a solicitação da vereadora Irisnaide de Souza Silva (PC do B), de Uiramutã, ao CAC. Conforme a parlamentar, quando se faz qualquer atendimento fora da Capital, geralmente os órgãos públicos vão apenas até as sedes dos municípios, e as comunidades, por falta de transporte e de logística, deixam de ser atendidas. “Então, a primeira ação que o Chame está fazendo nas comunidades e teremos novas visitas”, anunciou.

O deputado Naldo da Loteria (PSB), que acompanhou os dois dias, comentou ser importante o papel que a Assembleia está desenvolvendo, visto que, por serem comunidades de difícil acesso, muitos estavam ali assistindo pela primeira vez as palestras e recebendo orientações importantes de como cuidar da saúde. “Certamente a Assembleia estará mais perto da população, e esperamos que essa ação, a partir de agora, seja estendida para outras comunidades, não apenas com o Chame, mas com a Escolegis, levando curso profissionalizante, e outras ações da Assembleia”, avaliou.

Primeira vez

chame9Com mais de duas décadas de funcionamento em Roraima, a Liga de Combate ao Câncer esteve pela primeira vez desenvolvendo ações dentro de comunidades indígenas, conforme explicou a presidente da entidade, médica Magnólia Rocha. “Essa parceria [com a ALE-RR] para a Liga do Câncer foi de grande relevância, porque estou aqui há 31 anos, e essa instituição há 23 anos, e é a primeira experiência com comunidade indígena”, analisou.

Para quebrar o tabu de que o exame preventivo vai machucar, a médica durante as palestras explicou o que é útero, ovário, para que serve, a importância da coleta do material.

“Não tem tabu, não dói, não sangra. Pelo contrário, promove a saúde da mulher e do homem, porque com isso, estamos combatendo o câncer de colo de útero e de câncer de pênis”, disse Magnólia.

Para a jovem Rosi Pereira da Silva, 18, moradora de Uiramutã, a iniciativa de explicar para as mulheres sobre prevenção e cuidados com a saúde vão ajudar às famílias a se cuidarem mais. “Toda informação ajuda muito a gente, e quanto mais a gente sabe, melhor”, afirmou.

Rebeca Lopes

 

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