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Amamentação: um ato de amor e fonte de vida PDF Imprimir E-mail
Escrito por Gilvan Costa   
21-Jul-2007

Texto e fotos:

Gilvan Costa

 

 

 

 

O aleitamento materno é fundamental para o bom desenvolvimento da criança

 

Bruna nasceu saudável e, como a maioria das crianças, tinha tudo para ter um desenvolvimento infantil dentro dos padrões ideais. Logo nas primeiras horas de nascida já estava agarrada ao peito da mãe, buscando as primeiras mamadas do colostro, aquele primeiro leite produzido pela mãe.

 

De início, dona Cláudia, a mãe de Bruna, fez um esforço para amamentar a menina. Procurou posições, chegou até a comprar um sutiã especial (para não prejudicar os seios), mas parecia que aquilo não era bem o que ela queria fazer.

 

No primeiro mês, Bruna ainda recebeu alguma amamentação, mas logo isso foi substituído pela mamadeira. A mãe não queria perder a forma e ter que passar por uma cirurgia plástica nos seios, além de ser mais fácil dar o leite artificial pois fazia com antecedência e o bebê dormia bem mais com ele. Entre tantas ‘desculpas’, dizia que seu leite era fraco e Bruna não iria ganhar peso.

 

Pouco tempo depois começaram a aparecer os primeiros problemas. Embora Bruna tenha ganhado peso, isso não significava que ele estava saudável. Ainda no segundo mês, ela já começava a fazer suas primeiras visitas ao hospital, por causa da primeira diarréia, o que rapidamente causou desidratação e, por fim, um quadro complicado de perda de peso por falta de adaptação à alimentação artificial.

 

Dona Cláudia quase entrou em desespero. Lembrava-se das consultas pré-natais em que a enfermeira da família tantas vezes falou sobre a importância da amamentação exclusiva para a prevenção de doenças no bebê nos primeiros meses. Chegou a ter crises de culpa por ver a filha num leito de hospital por conseqüência de seu desleixo.

 

Foram mais de dois meses de tratamento, com acompanhamento nutricional e pediátrico, para que Bruna voltasse a ganhar peso e tivesse finalmente alta do tratamento. Dona Cláudia também teve acompanhamento psicossocial, que a ajudaram a ver a importância da amamentação, sobretudo nos seis primeiros meses de vida do bebê.

 

A partir dali, Bruna voltou a receber o leite de sua própria mãe, já que durante o tratamento estava sendo alimentado com as doações do Banco de Leite, até que Dona Cláudia voltasse a produzir seu próprio leite.

 

Hoje, com dois anos, Bruna ainda gostaria de mamar, mas é impedido por Dona Cláudia, só que desta vez por um motivo mais compreensível: teve de dar lugar à sua irmãzinha Lorena, que acabara de nascer.

 

“Hoje eu sei o quanto é importante o aleitamento materno. Certamente, não vai acontecer com a Lorena o mesmo que aconteceu com a Bruna. Graças a Deus minha filha hoje está saudável e vai crescer forte. Eu pretendo amamentar a Lorena enquanto eu estiver produzindo leite”, afirma Dona Cláudia, consciente que o exemplo deixado por Bruna valeu à pena.

 

A história de Bruna se confunde com a de milhares de crianças deste país, cujas mães por irresponsabilidade, desinformação ou mesmo por mera questão estética deixam de amamentar seus filhos.

 

Uma pesquisa recente, publicada no periódico Archives of Disease in Childhood (Arquivos de Doenças na Infância), da Inglaterra, sugere que bebês alimentados no peito lidam melhor com as pressões e dificuldades da infância que bebês alimentados com mamadeira.

 

Dados do Ministério da Saúde apontam que a queda da mortalidade infantil no Brasil se deu, entre outros motivos, pela queda de ocorrência de diarréias nas crianças, doença provocada principalmente, pela alimentação artificial dada aos bebês.

 

Mas a amamentação não é benéfica apenas para o bebê. Um benefício grande da amamentação, segundo especialistas, é que ela estimula a liberação da substância que atua na contração do útero. Isto pode auxiliar na recuperação mais rápida da antiga forma, desmistificando o fato de muitas mães deixarem de amamentar para não prejudicar a estética do corpo. Outro benefício é que a amamentação ao seio exige um gasto calórico muito grande da mãe, auxiliando na recuperação do seu peso normal.

"A troca de carinho no momento da mamada é algo indescritível".

 

A enfermeira Liliana Bezerra, mãe de Giullia, de 10 meses, fala da satisfação que é amamentar. Segundo ela, que ainda pretende continuar essa prática pelo menos até que a menina complete 2 anos, se toda mãe soubesse o quanto isso é importante, não abdicaria dessa oportunidade de promover mais saúde para seus filhos. 

 

“Minha filha nasceu prematura e conseqüentemente com baixo peso. O aleitamento exclusivo até o sexto mês de vida foi fundamental para atingir e manter o peso normal. Amamentar a Giullia e vê-la crescendo saudável é o meu maior prazer. A troca de carinho no momento da mamada é algo indescritível. É um momento que só quem amamenta pode sentir”, destaca.

 

Liliana também fala de sua experiência como enfermeira no Programa Saúde da Família (PSF), do Ministério da Saúde, onde atende diariamente mães em período de amamentação e vê sempre resistência em algumas delas.

 

“É incrível a freqüência com que a gente encontra doentes as crianças que não são amamentadas exclusivamente nos primeiros meses. Distúrbios gastrointestinais e infecções respiratórias são os mais comuns. A gente orienta, fala o que pode acontecer e algumas mães só acreditam quando vêm com os bebês pra consultar com algum problema”, explica.

 

O médico Carlos Badilla, que também atua no PSF e tem larga experiência em pediatria, diz que um dos principais problemas da falta do aleitamento materno para os bebês é a baixa do sistema imunológico.

 

“Isso favorece o aparecimento de doenças, sobretudo respiratórias e intestinais, assim como quadros de desnutrição. Crianças que não são amamentadas, principalmente nos seis primeiros meses, estão mais propensas a adquirir doenças como gripe, bronquite, pneumonia, constipação e até apresentar problemas de retardo no crescimento”, afirma.

 

Banco de Leite

Enquanto muitas mães se esquivam da responsabilidade de amamentar seus filhos, outras sofrem por não poderem produzir o alimento essencial para seus bebês. São mulheres que, devido a algum tipo de problema durante a gestação não conseguem produzir leite e têm de recorrer aos bancos de leite.

 

Na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, em Boa Vista, existe um banco de leite que, atualmente, conta com a colaboração de 42 mães doadoras. O leite recolhido é pasteurizado e armazenado para o atendimento às crianças do berçário da maternidade, que precisam do alimento e suas mães não podem lhes dar. Atualmente, o Banco de Leite da Maternidade atende 25 crianças.

 

O Banco de Leite está sempre renovando seu cadastro. Para ser uma doadora, basta que a mãe tenha boa saúde, não esteja tomando nenhum medicamento e tenha leite em excesso. O procedimento é fácil: basta ligar para o banco de leite no telefone 3623-2444, preencher um cadastro e informar o endereço residencial, que a equipe vai até a casa da pessoa levando o material necessário e informando todos os procedimentos para o recolhimento do leite.

 

A amamentação exclusiva até os seis de idade reduz os riscos de contrair doenças respiratórias e intestinais, entre outras

 

Vantagens do aleitamento materno

- Alto nível de nutrição e digestibilidade: o leite materno é feito sob medida para o bebê, pois contém os nutrientes essenciais ao crescimento e desenvolvimento saudável. O colostro (leite amarelado dos primeiros dias) contém alta concentração de vitaminas;

- Melhor qualidade de vida: está cientificamente comprovado que crianças amamentadas ao seio apresentam menos doenças e hospitalizações;

- Mais economia: uma criança com aleitamento materno exclusivo não necessita de leite artificial, o que em famílias de baixa renda é uma grande diferença no orçamento mensal, mesmo levando em conta a alimentação materna diferenciada, tão necessária no período de amamentação;

- Maior proteção contra doenças gastrointestinais: o alimento chega da fonte direto para o consumidor, não correndo o risco de contaminação, como ocorre com a água e outros alimentos e também com mamadeiras, chupetas, etc;

- Fortalecimento do vínculo afetivo entre a mãe e o bebê: é um momento de intensa troca e intimidade, o que facilita uma maior aproximação entre a mãe e o filho;

- Auxilia no restabelecimento do corpo no pós-parto, pois reduz o volume uterino;

- Protege contra nova gravidez: o aleitamento materno contínuo e prolongado diminui a fertilidade, funcionando também como um método contraceptivo, com cerca de 70% de eficácia;

- Protege contra algumas doenças como: câncer de ovário, de útero,de endométrio, de mama e osteoporose;

- Em mães diabéticas, reduz a necessidade de insulina, devido ao alto gasto de energia.


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Atualizado em ( 25-Jan-2008 )
 
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