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Governo precisa investir no combate à gravidez na adolescência Maria Helena Vilela (*) As estatísticas de gravidez na adolescência não conseguem dimensionar o tamanho do problema social que significa: evasão escolar, desagregação familiar, aumento no serviço de saúde pública, problemas psicológicos e prejuízo em relação aos sonhos profissionais. Timidamente os governos investem em programas de educação sexual. Muitas vezes, esses projetos contam pontos em trabalhos escolares, mas não consegue atingir o consciente desses adolescentes. Os pais – em sua maioria - transferiram para a escola a obrigação de ensinar e discutir as implicações pelo relacionamento sexual precoce e sem método contraceptivo. O Instituto Kaplan, associação que promove serviço em orientação sexual, aliado à capacitação de profissionais e o desenvolvimento de material didático que auxiliam a disseminar e promover os direitos e responsabilidades sexuais para a população brasileira acredita que com vontade política e investimento no capital humano, é possível diminuir a gravidez na adolescência. Os profissionais ligados ao Instituto Kaplan desenvolveram metodologias, jogos e dinâmicas que possibilitam que os educandos (normalmente adolescentes) adquiram a informação e possam refletir de uma forma lúdica e interessante. Se as empresas privadas investem nesses projetos de educação sexual, por que o poder público não o faz? Com o Projeto Vale Sonhar, por exemplo, o Kaplan e a Pfizer conseguiram diminuir em 91% o número de gravidez em adolescentes das escolas de 14 municípios do vale do Ribeira (SP) em dois anos. Professores foram capacitados para serem agentes de prevenção, realizando oficinas que levam o adolescente a perceber o impacto de uma gravidez no seu sonho profissional, além de informar de maneira lúdica sobre o processo da reprodução e os métodos contraceptivos. Vivenciar uma viagem ao futuro com uma gravidez simbólica faz cair a ficha. Essa ação é uma eficaz aliada da informação para conscientizar os adolescentes! Esse trabalho foi emblemático e as secretarias de educação dos estados de Alagoas, Espírito Santo e São Paulo adotaram o Projeto Vale Sonhar. Estão capacitando seus professores da rede pública e – em curto prazo de tempo – poderemos aferir como combater a gravidez na adolescência vai impactar positivamente no sistema de saúde, diminuir a evasão escolar e formar famílias estruturadas e com filhos no momento certo. É necessário encarar a gravidez na adolescência um problema da sociedade! Criar um círculo virtuoso é dever do estado, apoiado pela responsabilidade social de empresas, dos profissionais de ONG´s e OCIP´s. É preciso entender que os paradigmas da sexualidade mudaram exponencialmente na última década. A escola, através de seus professores capacitados com metodologia eficiente, será a maior aliada dos pais e do Governo para combater e prevenir a gravidez na adolescência.
(*) Diretora do Instituto Kaplan (www.kaplan.org.br)
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