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Artigo: Eleições 2008: Boa Vista embrião ou gameta de 2010? - J. R. Rodrigues PDF Imprimir E-mail
Escrito por J. R. Rodrigues   
07-Out-2008

Eleições 2008: Boa Vista embrião ou gameta de 2010?

J. R. Rodrigues (*)

A empresa Caleffi Pesquisas pesquisou para consumo dos partidos e coligações as intenções de votos para prefeito na capital e nos municípios do interior. Comparando com os dados oficiais do TSE, mais uma vez houve uma elevada e considerada margem de acertos. Em Boa Vista, por exemplo, Caleffi disse que Iradilson Sampaio teria 55.09% e ele teve 54.35%. Luciano Castro teria 33.49% e teve 41.64%.


Entretanto, dentre os que se dispuseram a opinar 9.23% se disseram indecisos, números que se converteram em regra em votos para Luciano, ou seja a eleição de Iradílson já estava decidida e os indecisos de última hora votaram mais em Luciano, o que levou o percentual para 41.64%. Além disso, a margem técnica de erro varia entre 3 e 5%, o que deixa mais uma vez Caleffi mais próximo da realidade, dentre todas as pesquisas que foram feitas em Boa Vista.


Além de Caleffi, pelo menos outros quatro institutos fizeram pesquisas, que serviram de base para o monitoramento de campanhas majoritárias e proporcionais, mas devido as exigências complexas da legislação apenas o Ibope obteve o registro junto ao TRE-RR, possibilitando a sua divulgação.

O resultado final das eleições nos municípios Roraimenses mostra um quadro complexo, porém acaba confirmando o predomínio quantitativo favorável ao Governador Anchieta e seu grupo, embora, graças a vitória de Iradílson Sampaio (capital), comparativamente falando pode-se afirmar que em vez de uma vantagem desta ou daquela liderança, as eleições municipais estabeleceu um equilíbrio entre o grupo do Governador e a oposição a ele, embora esta oposição não tenha um rosto ou um nome definido.

Os eleitos - BOA VISTA - Iradilson Sampaio (PSB -54.35% - 66.998 votos) – A vitória era esperada e deu a Iradílson a maioridade e sua emancipação política, acrescentando a sua biografia um fato importante e relevante. Iradílson, de coadjuvante passou a ocupar um espaço que só dependerá dele para ser ampliado. Venceu a eleição sem o apoio de Teresa Jucá e diante de um não explicado apoio de Romero Jucá, que dias antes da eleição se reuniu com o seu principal adversário.

Em torno de Iradílson vai girar as discussões oposicionistas com vistas as eleições de 2010, já que nomes como Mozarildo Cavalcanti, Neudo Campos e Getúlio Cruz e outros não figuram como prováveis aliados do grupo que terá – em princípio – como principais lideranças o governador Anchieta Júnior e o senador Romero Jucá. A vitória de Iradílson põe uma inevitável pergunta no ar: Ele é um gameta ou um embrião para 2010?

O segundo colocado na capital, Luciano Castro (PR - 41.64% -51.329 votos) obteve uma mais que expressiva votação. Tudo de ruim que poderia acontecer com um candidato majoritário vitimou Luciano. Além disso, ele não obteve o apoio esperado dentro do seu grupo, teve três candidatos a vice, houve a dolorosa desistência da senadora Marluce Pinto e acusação de um crime odiado por toda a sociedade.

Luciano Castro – contudo – apesar de um arrojado coordenador de campanha (o deputado Jalser Renier) fez uma campanha aquém do esperado pelo seu grupo.
Aqueles que o conhecem esperavam algo melhor, mas pareceu algo irreal, virtual, confusa, truncada, sem objetividade, sem consistência. Luciano, entretanto, não teve 51.329 votos de graça, foram votos convictos, daqueles que esperavam que ele fosse realmente um bom prefeito e que também deram o voto de confiança quando as acusações que pesavam contra ele.

O crescimento de Luciano na reta final pode também ser creditado a três fatores: Ao Governador Anchieta Junior, que “comprou” a briga, mostrou a cara e saiu em busca dos votos; do apoio de fiéis escudeiros dentro do grupo governista como o deputado Mecias de Jesus, do apoio do seu terceiro vice, Chico Guerra e da maioria dos deputados estaduais, além de outras lideranças e candidatos a vereadores que não abandonaram a campanha. O terceiro fator foram os pontos negativos do oponente Iradílson Sampaio, que também não navegou num mar de tranqüilidade, tendo vencido a eleição graças a uma complexa conjuntura política e eleitoral.

Também chamou a atenção em Boa Vista a inexpressiva votação das candidaturas ditas de esquerda: Luis Oca (PSOL - 2.46% - 3.029 votos) e Ariomar Farias (PCO - 1.56% - 1.921) e principalmente o absurdo número de votos nulos, brancos e abstenções, que juntos somaram 22.51%.

Além da derrota para a prefeitura, Luciano amargou outra que foi a não eleição de sua principal assessora Janice Coelho. Ao contrário de Iradílson que não “apadrinhou” nenhum candidato a vereador às escancaras, Luciano colocou todo o seu prestígio, estrutura, aliados, amigos, funcionários, etc. em prol da candidatura de Janice, que mesmo estando numa coligação que abocanhou três vagas, não conseguiu sua eleição.

Talvez a lição principal de Luciano,além da experiência de ter participado de uma
campanha majoritária pela primeira vez, seja uma reflexão sobre as duas últimas eleições para deputado federal, cujas votações obedeceram uma ordem decrescente e agora tirando o melhor proveito possível de tudo que influenciou positiva e negativamente nesta sua não eleição para a prefeitura da capital. As pessoas que conhecem Luciano, que – como eu – já trabalharam com ele – sabem que ele não se encontra no patamar político adequado, que apesar de tudo que ele passou e sofreu, ele está num local inadequado e aquém do que ele - por justiça – merece.

(*) Jornalista ( Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email )

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Atualizado em ( 07-Out-2008 )
 
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