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Sacrifício necessário Pedro Cardoso da Costa (*) Quem anda pelas grandes cidades já viu ou presenciou um animal sendo atropelado por um carro, quando não ocorre o próprio assassinato, quando alguns malvados jogam os carros por cima. Uma coisa e a outra são corriqueiras. Primeiro esses animais são vítimas de donos desatentos, que deixam portões abertos, saem com eles pelas ruas, parques e áreas públicas sem coleiras e deixam escapar, ou se livram propositalmente para quando não têm mais interesse. Mais grave é que o abandono vem para se livrarem deles quando estão muito doentes, momentos em que mais precisariam de cuidados e de tratamento. Apesar da existência de várias instituições de proteção aos animais, elas não têm sido suficientes para protegê-los de fato. Ninguém denuncia um vizinho por agredir permanentemente um animal. E as punições com multas por abandono deveriam ser rigorosas e efetivas. Se o faz, sempre vem do outro lado da linha uma resposta de que se tem mais com o que se preocupar. Não é raro agressão por pessoas embriagadas, abusos por crianças fazendo brincadeiras malvadas e permanentes, treinamentos doloridos com cães para farejarem drogas ilícitas e para imobilização de pessoas perigosas. Além dessas modalidades, o mais grave são as verdadeiras sessões de tortura em "adestramento" para espetáculos circenses. Com tanta forma de abuso, não se têm notícias de alguém punido em função desses abusos. Seriam necessárias algumas campanhas de conscientização à população para a posse responsável de animais. É preciso uma alimentação adequada e o necessário tratamento. Já as cidades deveriam aparelhar adequadamente suas secretarias para o recolhimento desses animais. Em São Paulo, os cães eram recolhidos e sacrificados, o que causava muitas críticas, algumas justas e a maioria sem nenhuma fundamentação e são apenas emotivas. Tem que se haver escolha sobre a possibilidade de sacrificar alguns animais ou deixa-los morrer à míngua. Escolher está presente na vida das pessoas cotidianamente. É comum o atropelamento de animais, que ficam machucados e não morrem imediatamente. Aí, algum caridoso os coloca num canto, num ponto-de-ônibus, onde ficam sós até à morte, sofrida, lenta e incomensuravelmente dolorosa, pois lhes faltam uma anestesia, um auxílio à respiração. Com certeza, quem acompanha um animal morrer assim, deveria preferir o sacrifício em alguns segundos, por mais dolorido que seja, abreviaria o sofrimento desses pobres indefesos. Trata-se de uma escolha subjetivamente difícil, mas necessária.
(*) Bel. Direito
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