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Nunca brinquem com arma de fogo! Pode ser trágico!!! Ademildo Magalhães (*) Madrugada de sábado para domingo. A rede rádio anuncia uma ocorrência com disparo de arma de fogo. Imediatamente duas unidades policiais se deslocam para atender o chamado. A primeira unidade policial que chega ao local se depara com uma mãezinha, tendo em seus braços, seu filho de apenas dez meses, ferido gravemente e que necessitava urgentemente de socorro médico. Numa luta desesperada contra o tempo para salvar uma vida, sem pensar duas vezes, a equipe o socorrem apressadamente em direção ao atendimento hospitalar emergencial. No caminho encontram uma equipe dos “anjos da vida” dos bombeiros militares. Ao transferir o pequenino paciente aos paramédicos, que então foi possível verificar os sinais vitais da vítima. Triste momento, de dor e sofrimento para a mãe, que pedia desesperadamente para salvar seu filhinho. Infelizmente, a criança já não tinha mais esperança de vida. O desespero daquela mãe, sentindo-se impotente diante daquela situação, não lhe restava outra alternativa, a de receber os cuidados médico e psicológico daquela equipe. Nesse momento ainda buscávamos uma explicação, como aquilo teria acontecido? Mais dolorido ainda, foi a forma trágica que o pequenino e inocente “bebe da mamãe” perdeu a vida. Havia apenas despertado para o mundo, com seu rostinho afável de anjo, agora, descansava em paz nas graças do Senhor Criador. Nós policiais fazemos parte da sociedade a que servimos, tentamos ser fortes e inabaláveis diante das dificuldades que enfrentamos. Procuramos respeitar as forças estranhas a nossa vontade, pois acreditamos que o bem sempre vence, mas desta vez ele sobressaiu e sentimos o dissabor da derrota. Não somos onipresentes, mas queríamos estar em cada casa, rua, esquina, praça, bairro e município, para ensinar e orientar a quem tanto precisa aprender a valorizar o bem mais precioso, a vida. A cena tão chocante que vai marcar nossas vidas aconteceu de forma irresponsável, negligente, imperita e amadorística. Diariamente vemos na mídia, casos como este pelo Brasil e mundo afora. Não acreditaríamos que um dia aconteceria em nossa cidade, mas de repente, somos pego de surpresa pela fatalidade. Veja a tamanha irresponsabilidade do portador de uma arma de fogo, o pai da criança manuseava a arma dentro de casa e em direção as pessoas que ali se encontravam. Na prática Policial adotamos a teoria da Lei de Murphy, “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”. Ocorreu exatamente isso. Um revólver calibre trinta e oito, com todas as seis câmaras do tambor cheias, nas mãos de quem não deveria estar portando. Um disparo “acidental e trágico” levou a vida de um inocente. Nada apaga o peso da consciência de perder um filho, principalmente deste pai, que inadvertidamente cometeu o seu minuto de besteira neste dia. Entristecido, deixo minha solidariedade e fraternos abraços aos familiares e amigos do pequenino “Menino-Bebe”. Também tenho o dever de orientar e aconselhar os adultos conscientes do perigo, “pelo amor de quem tanto amamos”, nunca brinquem ou deixe armas de fogo ao alcance de inocentes.
(*) Capitão da Polícia Militar de Roraima
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