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Abuso de poder é como a dengue: democrático Acorda amor. Eu tive um pesadelo agora Sonhei que tinha gente lá fora Batendo no portão, que aflição Era a dura, numa muito escura viatura Minha nossa santa criatura Chame, chame, chame lá Chame, chame o ladrão, chame o ladrão”. (Acorda, amor, de Chico Buarque) Giceane Moraes (*) Essa crônica de Chico Buarque em plena ditadura militar, faz-me recordar do trágico episódio que presenciei (ao meu lado) na Orla Taumanan no último dia 16 de abril. O Policial Federal Marcio Marques, que veio do Espírito Santo para atuar na operação de retirada de não índios da Raposa Serra do Sol. (claro que não podemos generalizar, são uns gatos pingados mal-intencionados que se sentem super-homens porque vestiram uma farda, ao modo legítimo do arbítrio que marcou o tempo dos generais ditadores e, sejamos reais e honestos, de civis pós-ditadura que, saudosos do excessivo poder, continuaram usurpando direitos e violando a Lei e a Ordem). Não quero comentar, apenas narrar. E recordar. Porque era assim que agiam “eles”, os ditos “homens” da repressão. Agrediam a bel-prazer, inventavam verdades (sim, porque um policial tem um predicado sobre “outros mortais”, que é uma tal de “fé pública”), prendiam a arrebentavam. Estamos em pleno estado policial. Governantes e a própria sociedade instigam a violência policial contra os mais pobres. Só que o uso do poder e o abuso são como mosquito da dengue: democráticos. Se você os cria, eles não escolhem a quem picar. Está aí o resultado: um policial federal agride verbalmente do meu lado um cidadão comum e ameaça a todos nós. Inclusive eu que tenho uma filha de 9 anos para educar; aponta arma para todos; dispara três tiros para cima, grita horrores, alegando “ desacato “ . Tudo em um dos poucos e pacíficos ambientes da cidade: Orla Taumanan, que é um espaço de convivência e lazer que realça ainda mais as belezas naturais de Boa Vista. ... ..E ainda há quem diga que a ditadura acabou. Voltou com mais força. Não mais o exército, é a ditadura da polícia e da falta de caráter de certos profissionais. Estou indignada com o que presenciei. Quero justiça e que possamos garantir a paz e a tranqüilidade que uma cidade pequena como a nossa merece.
(*) Historiadora, especialista em Alfabetização.
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