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Selfienude: modalidade de crime contra criança e adolescente preocupa autoridades

André Paulo dos Santos - Foto: Secom ALE-RR

André Paulo dos Santos – Foto: Secom ALE-RR

Sexteen ou selfienude. Em um primeiro momento, essas duas palavras em inglês até nos chamam a atenção pela escrita e pronúncia. Mas, no bom português, significa fotos e vídeos eróticos na web. E as maiores vítimas desse crime cibernético são crianças e adolescentes. Para o promotor de Justiça do Ministério Público de Roraima (MPRR), André Paulo dos Santos, esse delito é muito preocupante, uma vez que o número de casos dobra a cada ano.A declaração foi prestada durante audiência pública sobre o “Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual e Tráfico de Crianças e Adolescentes em Roraima”, promovida no plenário Noêmia Bastos Amazonas, da Assembleia Legislativa de Roraima.

Segundo o promotor, 60% de fotos eróticas, de nudez, além de vídeos publicados na internet, são com menores de 18 anos e desse total, 30% envolvem meninas de 13 a 15 anos de idade. “Tem sido grande o número de ocorrências que chegam às autoridades. E quando envolve criança e adolescente ganha uma repercussão maior”, afirmou Santos.

Ele explicou que essa repercussão acontece porque alguns adolescentes chegaram a tirar a própria vida, como já ocorreu, porque as fotos íntimas vazaram e chegaram ao conhecimento de terceiros na escola e eles não tiveram como suportar a pressão.

“Isso acontece porque meninas de 10, 12, 15 anos não têm maturidade suficiente para entender que a exposição de seu corpo pode chegar ao conhecimento de terceiros e as consequências são catastróficas. Essas jovens não têm estrutura psicológica para suportar a pressão”, ressaltou o promotor.

Rede de proteção

Muitas são as instituições que trabalham para tentar amenizar o sofrimento de crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual, mas vários são os problemas que impedem a realização de um serviço eficaz no combate a esse crime.

Entre tantos, o promotor destacou a melhoria de condições de trabalho dos conselhos tutelares, da polícia investigava (Civil), do IML (Instituto Médico Legal) e do Instituto de Criminalística. “É necessário criar uma humanização em delegacias e no IML, de modo que a criança vítima de violência doméstica, ao chegar ao distrito policial, pudesse dispor de uma psicóloga, de uma sala especial, e ao menor vítima de abuso sexual, quando for ao IML fazer exame, tenha um ambiente acolhedor para que não seja novamente revitimizado a cada etapa desse processo”, afirmou.

Para que essas instituições recebam essas melhorias, o promotor afirmou que o MPRR tem proposto várias ações ao Executivo estadual, que visam dar condições para a execução dos trabalhos, garantindo um atendimento adequado a criança e ao adolescente vítima de abuso e exploração sexual. “O Poder Judiciário tem feito sua parte, sentenciando e muitas vezes obrigando judicialmente que sejam feitas ações nesse sentido”, garantiu Santos.

Edilson Rodrigues

 

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