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| Crônica: Pílulas Natalinas – Luciano Pires |
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Hoje vou pegar leve, com algumas pílulas natalinas que andei juntando. São retalhos que vou costurando, sabe como é? Pílula um: O Natal é um período especial do ano. Uma convenção. Quando ele chega o tempo muda, um clima diferente toma conta da casa, da cidade, do país. Conheço muita gente que odeia o período do Natal. Acha triste, provavelmente por trazer lembranças de tempos felizes que não vão mais voltar. Lembranças de entes amados que já se foram. O Natal traz saudades. Ele acorda a criança que dorme dentro de nós, reaviva sentimentos que nos dominavam quando tínhamos seis, sete anos de idade. Um período em que o Natal, seja rico ou pobre, é sempre fascinante. Foi Erma Bomback, humorista estadunidense quem disse uma frase que chega a doer de tanta poesia: - Nada mais triste que acordar numa manhã de Natal e não ser criança... Pílula dois: E houve também um anônimo cruel que disse: - Aprendi que o homem tem quatro idades: quando acredita em Papai Noel, quando não acredita em Papai Noel, quando é o Papai Noel e quando se parece com Papai Noel. Pílula três: O meu Natal inesquecível aconteceu quando eu tinha uns dez anos, lá por 1966. A família gigantesca reunia-se na casa de meus avós Duarte e Dora. Era uma tremenda festa, todos davam presentes para todos. Naquele ano só ganhei coisas que crianças detestam: meias, lenços, sabonetes... Fui pra casa arrasado. Quando cheguei, meu pai estranhamente mandou que eu entrasse no quarto e acendesse a luz. Ao entrar senti um cheiro de coisa nova. Acendi a luz e no meio do quarto estava uma bicicleta. Uma Monareta branca e vermelha. Linda. Brilhante. O melhor presente de Natal da minha vida. E para terminar, a Pílula quatro: Já que é Natal, que tal um presentinho? O Soneto de Natal de Machado de Assis? Um homem, - era aquela noite amiga, Noite cristã, berço no Nazareno, - Ao relembrar os dias de pequeno, E a viva dança, e a lépida cantiga, Quis transportar ao verso doce e ameno As sensações da sua idade antiga, Naquela mesma velha noite amiga, Noite cristã, berço do Nazareno. Escolheu o soneto... A folha branca Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca, A pena não acode ao gesto seu. E, em vão lutando contra o metro adverso, Só lhe saiu este pequeno verso: "Mudaria o Natal ou mudei eu?" Feliz Natal! |
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