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Crônica: Saindo da zona da indiferença – Luciano Pires

Em artigo recente, tratei da Zona da Indiferença, aquele lugar onde as pessoas cruzam os braços e agem como se nada fosse com elas. Se você não leu, recomendo que leia. Está aqui: http://bit.ly/1oeotKt.

Pois bem, como fazer quando você perceber que está lá, de braços cruzados, na Zona da Indiferença? Será fácil sair dela? Tudo começa com uma palavrinha em desuso: integridade. Vamos à Wikipédia?

“Integridade vem do latim integritate, é a capacidade de alguém ou algo ser íntegro, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, briosa, pundonorosa (!), cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade. O que é íntegro é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito. Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas, infringindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente.”

O indivíduo íntegro é aquele que se apega a seus valores, que não entra na boiada e vai pra lá ou pra cá só porque todo mundo está indo. Agindo assim ele não acaba com a zona cinza, mas faz com que ela fique menor ao não aderir ao relativismo moral que impregna estes tempos. Não gosto, não aceito, não quero, não concordo, não transijo. Isso é integridade. Mas cuidado. Valores morais sem repertório geram gente teimosa.

Repertório. Se sou íntegro com relação a meus valores morais, quanto mais rico meu repertório, mais chances tenho de fazer as reflexões e negociações internas que levam às escolhas que me tirarão da zona da indiferença. Especialmente quando estou no meio da boiada.

Vamos ao tigre que pegou o braço do menino?

A turma que filmou o garoto e não fez nada, sabia muito bem discernir o certo do errado, mas ao fazer uma reflexão baseada em seu pobre repertório, concluiu que “se me envolver, vou me incomodar”. E só não cruzaram os braços por estarem segurando um celular. O “vou me incomodar” foi mais forte que seus valores morais e a consequencia foi o menino sem braço.

Mas e se você não consegue se apegar a seus valores e não tem certeza da riqueza de seu repertório? Ainda existe uma saída: buscar um mentor, uma mentora, aquela pessoa mais experiente que pode jogar alguma luz sobre as opções de escolhas. Alguém em quem você confia e que talvez consiga ajudar a separar o preto do branco. Ou o verde do vermelho, antes que um paladino do politicamente correto venha me encher o saco.

Mas quem garante que seu mentor ou mentora não é apenas um idiota experiente? Teus valores e repertório. Percebeu? São eles que orientarão a escolha do mentor! É um círculo vicioso, que só é transformado em virtuoso por quem está sempre aprendendo, evoluindo, refletindo.

Então vamos lá: quando você se encontrar na Zona da Indiferença, a culpa é só sua que não teve repertório para sair de lá e que não se manteve íntegro com relação a seus valores morais. A menos que eles, os valores, sejam isso mesmo: que se danem, não vou me incomodar. E é bom procurar alguém que o ajude a enxergar a situação de outro ângulo, o tal mentor. Mas que seja um mentor do bem, não apenas bem intencionado.

Agora que você já sabe, vamos ao primeiro exercício.

Olhe para seus braços. Estão cruzados?

Aí é ruim. 

(*) Luciano Pires é jornalista e editor do Café Brasil. Publica seus artigos às sextas-feiras em seu blog http://www.portalcafebrasil.com.br

 

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