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Crônica: No outono da vida – Luciano Pires

Enquanto escrevo estas linhas, no dia 23 de julho, recebo a notícia que Ariano Suassuna faleceu, compondo um quadro triste de perdas: dia 18 foi João Ubaldo Ribeiro e dia 19, Rubem Alves. Grandes nomes da cultura brasileira estão desaparecendo e parece que a velocidade das perdas tem aumentado. Será só impressão?

Vamos ver.

Puxando rapidamente pela memória, João Ubaldo se foi aos 73, Rubem Alves aos 80. Pouco antes perdemos Millôr Fernandes com 89, Max Nunes com 92 e Chico Anysio com 81. Com essas idades, é natural que essas pessoas estejam morrendo, mas ao mesmo tempo é preocupante.

Farei então uma reflexão estatística com base em dados que encontrei em fontes diversas, sem nenhuma preocupação científica. Estou interessado apenas no exercício da especulação criativa.

Alguns estudos indicam que 54% dos mortos no Brasil têm 60 anos de idade ou mais, todos naquele período da existência que costumávamos chamar de “outono da vida”. Existe um site que calcula por meio de estimativas estatísticas quantas pessoas morrem em média por dia ( http://bit.ly/VuJuKG ). Com base nele é possível estimar que tenhamos 1.308.547 mortes por ano no Brasil. Aplicando aquele índice de 54% chegamos à cifra anual de 706 mil mortos com mais de 60 anos.

Vivem no Brasil 25 milhões de pessoas nessa faixa de idade. Se 706 mil morrem por ano, temos um índice 2,8% de mortes. Esse índice para quem tem entre 20 e 59 anos de idade é de cerca de 0,4%. Ou seja: se você já passou dos 60 anos de idade, tem sete vezes mais probabilidade de morrer que seu filho de 30.

Óbvio, não é? Mas duvido que você já tivesse feito esses cálculos. Mais uma vez: isso é apenas uma especulação sem valor científico, mas que aposto não estar muito longe da verdade.

Muito bem. Provado matematicamente que qualquer pessoa que passe dos 60 anos de idade aumenta consideravelmente a chance de morrer, se prepare. Vou relacionar aqui umas pessoas de vários setores distintos da sociedade que já entraram na faixa de risco:

Caetano Veloso 72, Gilberto Gil 72, Roberto Carlos 73, Chico Buarque 70, Rita Lee 67, Silvio Santos 84, Jô Soares 76, Cauby Peixoto 80, Ferreira Gullar 84, Fernando Gabeira 73, Antonio Abujamra 83, Bibi Ferreira 92, Luís Fernando Veríssimo 76, Paulo Coelho 67, Ziraldo 82, Mauricio de Souza 79, Alberto Dines 82, Arnaldo Jabor 74, Marilia Gabriela 66, Abilio Diniz 78, Edir Macedo 69, Paulo Maluf 83, Fernando Henrique Cardoso 83, Lula 69, José Sarney 84, Fernando Collor de Mello 65, Dilma Roussef 67, José Dirceu 68… e por aí vai.

Para que nenhum pocotó entenda que estou desejando a morte das pessoas que listei acima, por mais tentador que possa ser em alguns casos, peço que leia de novo o texto. Se não entender, peça para alguém explicar.

Conclusão: os próximos anos estarão repletos de perdas impactantes, o que é absolutamente natural.

O que preocupa é a reposição.

(*) Luciano Pires é jornalista e editor do Café Brasil. Publica seus artigos às sextas-feiras em seu blog http://www.portalcafebrasil.com.br

 

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