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Tarso Genro vai à Raposa Serra do Sol acompanhar desdobramentos de conflito
 O ministro da Justiça, Tarso Genro, está em Roraima acompanhar os desdobramentos do confronto entre índios e funcionários do líder dos arrozeiros de Roraima, Paulo César Quartiero, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, Tarso Genro classificou a atitude dos empregados da Fazenda Depósito como “ação inaceitável”.

Tarso Genro estava em Manaus (AM) acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração de um projeto de urbanização do bairro Igarapé da Cachoeirinha e decidiu ir até Roraima após o conflito na tarde de segunda-feira, 05, em que dez índios foram baleados. De acordo com assessoria do ministro, ele volta ainda hoje a Brasília.

“Não cheira bem”
O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, definiu em Brasília o incidente ocorrido nesta segunda-feira, 05, entre funcionários de arrozeiros e índios na Terra Indígena Raposa Serra do Sol como atitude “lamentável” e “que não cheira bem”. As declarações foram dadas após audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. No encontro, Anchieta Júnior pediu celeridade ao julgamento das ações pendentes que contestam a demarcação da reserva.

“Essa atitude, neste momento, não me cheira bem. Há algo estranho por trás dessa invasão, já que havia uma promessa de ambas as partes de esperar essa decisão do Supremo. Qual seria a intenção de alguém invadir uma fazenda?”, questionou Anchieta Júnior. “Isso me deixa surpreso, triste e não combina com intenção das partes que querem o melhor para o país”, acrescentou, ao defender que a Polícia Federal esclareça os fatos.

Apesar de se referir ao termo invasão, que também aparece na versão do líder dos arrozeiros Paulo César Quartiero, o governador negou atribuir culpa aos índios pelo ocorrido:

“Não estou responsabilizando ninguém. Se houve realmente a invasão, não caberia também aos arrozeiros agir dessa forma [com tiros]. Teria outras maneiras mais pacíficas de conter essa invasão.”

Anchieta Júnior informou que o governo de Roraima vai anexar aos processos que correm no STF documentos de contestação ao laudo antropológico que baseou a demarcação contínua e informações sobre o peso dos produtores de arroz na economia estadual, que seria de 7% do Produto Interno Bruto (PIB).

A posição do governador é em defesa da permanência dos produtores em parte da área de 1,7 milhão de hectares. A estimativa dele, que também se reuniu hoje com o relator das ações, ministro Carlos Ayres Britto, é de que o julgamento aconteça em no máximo três semanas.
“O ministro Ayres Britto me prometeu que seu voto estaria pronto em uma semana. E a marcação da data do julgamento no plenário cabe ao presidente, que também reafirmou a intenção de celeridade”, disse Anchieta Júnior.

Ivan Richard e Marco Antônio Soalheiro
Agência Brasil
 

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