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| Artigo: Profecia ou maldição da política Roraimense - J. R. Rodrigues |
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Profecia ou maldição da política Roraimense J. R. Rodrigues (*) Semanas antes da convenção que definiria o candidato a vice na chapa com o Brigadeiro Ottomar Pinto, ele já tinha tomado uma decisão. Todos os seus aliados já tinham sido comunicados que o seu companheiro seria o economista Haroldo Amoras. Todos estavam convencidos a aplaudir essa decisão e a resistência no grupo era mínima, mas significativa. A então primeira Dama Marluce Pinto, o hoje conselheiro do Tribunal de Contas, Netão Souto Maior e o então procurador-adjunto do Estado João Félix eram praticamente os únicos a mostrarem, num público extremante reservado, a resistência a chapa Ottomar/Haroldo. O conhecimento de alguns membros desta resistência aliado a experiência política e de vida de Marluce fez crescer essa resistência e foram buscar apoio no meio dos chamados “novos aliados” que desde a posse de Ottomar em função da disputa judicial com Flamarion Portela, vinham dando apoio ao velho brigadeiro e sendo bastante prestigiado. Neste grupo se encontravam, dentre outros, o deputado federal Luciano Castro, razão pela qual Ottomar assumiu o compromisso de “fazê-lo prefeito de Boa Vista” e o deputado estadual Mecias de Jesus, presidente da Assembléia Legislativa. Meses antes, Ottomar tinha conversado com praticamente todas as correntes políticas de Roraima, incluindo o senador Romero Jucá, que reivindicava a vaga de vice, mas por sua sabedoria, sabendo da fragilidade de sua saúde, Ottomar procurava um vice que reunisse duas qualidades (naquele momento preenchidas por Anchieta): A confiança da raiz de seu grupo (era indicado de sua fiel companheira Marluce Pinto), o que daria a tranqüilidade de não deixar as pessoas que ele tanto amava fora do governo imediatamente sua morte e ao mesmo tempo estava sendo indicado por boa parte dos novos aliados, o que daria governabilidade, garantindo a sobrevivência do grupo de Ottomar e até a perpetuação de seu legado político. O resultado de tudo isso foi uma das maiores vitórias de um grupo político em Roraima, o chamado “grupão” massacrou os principais adversários. Romero Jucá, candidato a governador, mesmo com sua grande densidade política, teve uma votação medíocre e sua então esposa Teresa Jucá, que em tese tinha garantida uma das duas vagas no senado, foi humilhada pelo grupo de Ottomar/Anchieta que consagrou a antes inacreditável vitória de Mozarildo Cavalcanti. Iniciado o Governo, Ottomar tratou imediatamente de manter o grupo unido, fomentar a candidatura de Luciano Castro para a prefeitura da capital e continuar rejeitando qualquer acordo com Romero Jucá. Nesse aspecto ele tinha o apoio integral de Marluce Pinto, que atribui a Jucá sua principal derrota eleitoral, quando deixou de retornar para o senado, quando os grupos Jucá e Ottomar estavam no mesmo palanque. O traiçoeiro destino ceifou a vida de Ottomar o que levou o jovem, porém experiente engenheiro Anchieta Júnior ao podium da política roraimense. Os primeiros meses do Governo de Anchieta foram de absoluta normalidade, o legado político de Ottomar estava nas mãos de Anchieta e ele nunca escondeu isso, honrou o compromisso de lançar Luciano Castro candidato a prefeito de Boa Vista, etc., mas essa calmaria só reinaria até surgir no caminho de Anchieta um velho conhecido de Ottomar e o jovem governador seria mais um a cumprir a profecia ou maldição de que cada um dos políticos de Roraima ainda serão enganados pelo menos uma vez por Romero Jucá. O charme sedutor de Romero Jucá fez surgir o que o governador Anchieta chamou de “acordo administrativo” e que resultaria numa parceria velada entre Jucá e Anchieta até as eleições de 2010, culminando com o apoio de Anchieta para a reeleição ao senado de Romero Jucá, numa aliança nos moldes daquela quando Jucá levou uma vaga e Marluce foi “enrolada” como dizem até hoje os seus aliados. Novamente estariam disputando duas vagas para o senado Jucá e Marluce, com grandes chances do resultado também se repetir. O acordo administrativo assumido por Anchieta esteve bem próximo de se transformar numa grande aliança política que envolveria as eleições em Boa Vista e nos demais 14 municípios de Roraima e ainda as linhas mestras da sucessão e das demais eleições em 2010, com a formação antecipada de uma chapa Anchieta e um vice indicado por Jucá. A primeira vitória de Jucá ocorreu, quando o acordo administrativo foi transformado numa aliança informal nas eleições municipais, Jucá e Anchieta não formariam blocos de oposição em nenhum município e a partir de 6 de outubro, eles colheria os louros da vitória seja qual for o resultado. Em tese, Jucá sendo a chave do cofre do Governo Federal e Anchieta o Governador, todos os eleitos terão que bater continência para O efeito colateral desta estranha e hipotética aliança é que todos os candidatos – aliados de Jucá ou Anchieta – estão se sentindo largados a própria sorte, abandonados, sem condições de tocar suas campanhas. Mesmo assim, quem chegar vivo até o dia 5 de outubro será o prefeito e consequentemente aliado de Jucá/Anchieta. Verdade ou boato isso só se concretizará após as eleições. Mas a aproximação entre Jucá e Anchieta não é tão simples assim, a exemplo do ocorreu com o então governador Flamarion Portela, para alguns Jucá passou a ser espelho e confessionário de Anchieta. Com Flamarion, Jucá passou de autor das ações que resultaram na cassação Flamarion e na ascensão de Ottomar, ao seu principal aliado. A aproximação de Flamarion com Jucá minou a base aliada que tinha feito Flamarion candidato a vice e depois candidato a governador. O histórico grupo de cinco deputados estaduais que comprou uma briga com o governador Neudo Campos, foram sendo descartados um a um, até Flamarion está completamente nos braços de Jucá. Mesmo cassado e sem mandato Flamarion vence uma disputa judicial e chega na ALE-RR com a cassação de Chico das Verduras e hoje é o principal aliado de Jucá na Assembléia Legislativa e duro opositor a Anchieta Junior. Os discursos de Flamarion são meticulosamente acompanhados e difundidos pela ainda incipiente oposição e a expectativa gira em torno de um pedido de CPI para apurar possíveis irregularidades na saúde estadual. Ou seja enquanto Jucá é um aliado de peso de Anchieta, misteriosamente, seus aliados trabalham para criar uma CPI que fragilizaria o governador e lhe colocaria em confrontos com aliados, produzindo num mínimo uma divisão em seu grupo. Melhor traduzindo, o governador Anchieta Junior, não leva ao pé da letra uma frase atribuída ao velho ACM. “No meu palanque sempre caberá meus opositores, mas eles sempre ocuparão o espaço reservado aos ex-adversários”. Novamente, a exemplo do que aconteceu com Flamarion, Jucá é apontado como o principal interessado na fragmentação do grupo de Anchieta e na sua fragilização política, por que mesmo que eles não sejam aliados em 2010, o governador estará desgastado pelo trabalho dos aliados de Jucá na Assembléia (denúncias, etc.) e com uma relação extremamente arranhada com os aliados de 2006, tudo isso para cumprir a profecia ou maldição de que “cada político de Roraima será enganado pelo menos uma vez por Romero Jucá”.
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