|
||
| Artigo: País da Grampolândia - Pedro Cardoso da Costa |
|
“País da Grampolândia” Pedro Cardoso da Costa (*) Trata-se de título de editorial da Folha de São Paulo de 30 de julho de 2008, que atribui esta frase ao presidente Lula e que só ocorrera em função das escutas telefônicas terem chegado ao chefe-de-gabinete da Presidência da República num diálogo comprometedor com um advogado do banqueiro Daniel Dantas. Por que por outros meios de prova a Polícia Federal nem quaisquer instituições jamais conseguiram provas contundentes contra a classe bandida endinheirada, as interceptações telefônicas autorizadas judicialmente tornaram-se o único meio eficaz. E demorou pouco, pois os mocinhos nunca reconhecem a própria voz, porque estavam meios sonolentos, gripados, com rouquidão, remédios e outras sandices que, ao invés de amenizar, deveriam agravar a pena pela desfaçatez e cinismo com que são empregadas. Como se tornaram frágeis pela facilidade com que a Justiça brasileira aceita argumentos dessa natureza, a Polícia Federal passou a gravar. Mesmo assim, alguns negam as imagens. Dizem que quem entrou era baixinho, que a imagem está distorcida, quem entrou estava com roupa azul. E esquecem que até cor hoje se coloca a gosto do freguês. Resta à sociedade demonstrar apoio às operações da Polícia Federal. Essa leva de critica visa enfraquecê-la com vistas a deixar a classe bandida de cima intocável, já que escuta telefônica não se aplica à gente do morro. Pior do que as escutas e gravações são as levantadas de rosto de pobres da periferia para as câmeras de televisão, forçadas pelas polícias militares, e nunca mereceram editorial de repúdio de nenhum jornal de destaque. Atribuir o título como frase de Lula não surpreende. O presidente sempre demonstrou pouco apreço por apurações de verdade. Até que parou um pouco de defendê-las publicamente, mas sempre que surge algum desvio dos seus subalternos, todo mundo sabe que ele não vê, não sabe, não ouve, não enxerga e não sente. Perde todos os sentidos. Lula detesta apuração de algo errado e sempre se enviesa para críticas às suas próprias instituições. Foi assim com seus quarenta quadrilheiros, segundo o procurador-geral da República, com os sanguessugas, com os cuecas de dólares, com os compradores e fabricadores de dossiês e tantos mais. Daniel Dantas e toda sua classe não precisariam de defesa da Folha nem de nenhum jornal. Eles já a têm dos presidentes dos poderes constituídos. A classe inimputável já tem seus poderosos protetores oficiais. Editoriais como este prejudicam mais pelo caráter pedagógico nocivo à sociedade do que pela proteção em si à classe bandida de cima, por ser absolutamente desnecessária. Polícia Federal, grampo e algemas neles! (*) Bel. em Direito Interlagos/SP
|














