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Sob tensão, índios e arrozeiros de Roraima se mobilizam para acompanhar julgamento no STF

Dionito Souza, coordenador-geral do CIRO Conselho Indígena de Roraima (CIR) prometeu nesta terça-feira, 09, reunir cerca de 1.500 pessoas na comunidade do Barro, vizinha à Vila Surumu, principal portal de entrada da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, para assistirem amanhã, 10, pela televisão ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da constitucionalidade da demarcação da reserva.

Como não há horário de verão em Roraima, o julgamento começará, para quem ficou no estado, às 7h da manhã (9h de Brasília).

Segundo o coordenador-geral do CIR, Dionito José de Souza, seis caminhões foram utilizados para trazer o pessoal para a comunidade, além dos indíos, que se deslocam de bicicleta, de moto ou a pé. Outros 40 representantes foram enviados a Brasília. Os índios já sinalizaram que podem não acatar pacificamente um revés no tribunal.

O presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, Nelson Itikawa, e o prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartieiro, que protagonizaram nos últimos meses o movimento de resistência à retirada dos não-índios de parte da área de 1,7 milhão de hectares da reserva, se dirigiram a Brasília esperançosos de que não prevaleça no plenário do STF o voto já dado, pelo ministro relator Carlos Ayres Britto, que manteve a demarcação em faixa contínua. Eles defendem a demarcação em ilhas, com a exclusão de fazendas, estradas e sedes de municípios.

Questionado se o grupo faria alguma manifestação também na Vila Surumu, Quartieiro respondeu com ironia: “Nosso grupo é de gente que trabalha, que  tem que pagar suas contas, e não tem tempo para participar de espetáculo para a imprensa”, disse o produtor.

A Polícia Federal mantém um posto permanente na Vila Surumu desde abril deste ano e reforçou seu efetivo para garantir a segurança na reserva. Um grupo de indígenas está estrategicamente posicionado em frente à fazenda Depósito, de Quartieiro, o que pode levar a um acirramento de ânimos entre as partes. Próximo dali, em maio, funcionários do produtor balearam índios que tentavam erguer malocas nos limites da propriedade. “Não vou invadir minha própria casa. Se quiséssemos tomar aquilo à força, já tínhamos feito”, comentou Dionito.

Marco Antonio Soalheiro

Agência Brasil

 

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