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| Anchieta diz que índios da Raposa são manipulados por interesses estrangeiros |
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Anchieta diz que índios da Raposa são manipulados por interesses estrangeiros
“O índio não é ator principal nem coadjuvante desse processo, mas um elemento usado para atender interesses internacionais escusos”, afirmou o governador, em entrevista coletiva, convocada por ele para reforçar argumentos em prol de uma demarcação da reserva em ilhas. “É fácil comandar índio”, acrescentou.
Quando provocado a nominar os grupos estrangeiros, que estariam manipulando os índios, o governador não respondeu de forma conclusiva. Inicialmente, citou apenas o caso de dois funcionários de mineradoras americanas, que teriam sido presos pela Polícia Federal na região.
“Não posso nominar, mas são interesses de países desenvolvidos na biodiversidade da Amazônia”, disse o governador.
Anchieta Júnior se valeu de números para justificar a posição estadual contra a demarcação contínua. Segundo ele, 47% de estado de Roraima já estão comprometidos com demarcações.
O governador lembrou a demarcação Yanomami, também em Roraima, feita durante o governo de Fernando Collor de Mello. Segundo Anchieta Filho, o isolamento imposto a esses índios foi um exemplo da ineficiência de demarcações contínuas, uma vez que a expectativa de vida de um índio nessa área seria hoje de 45 anos.
“Será que é isso que o governo federal quer para a população indígena brasileira?”, questionou o governador, após garantir que 100% da classe política, 90% da população do estado e 80% das comunidades indígenas seriam contra a extensão dada pelo governo federal à Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Anchieta Júnior recorreu também ao suposto risco para a soberania nacional acarretado pela eventual saída dos não-índios da região. Ele citou, inclusive, o apoio explícito do genral Augusto Heleno, do Comando Militar da Amazônia, a este argumento. A Terra Indígena Raposa Serra do Sol está localizada na faixa de fronteira do Brasil com a Guiana e com a Venezuela. “A presença de não-índios significa a vivificação da fronteira. Tirar os brasileiros de lá é um risco à soberania”, ressaltou o governador.
O julgamento sobre a constitucionalidade da demarcação da reserva em faixa contínua, homologada pelo governo federal em abril de 2005, será retomado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 10. Em 27 de agosto último, o relator, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela manutenção da demarcação contínua, com a saída de todos os não-índios da reserva. Na ocasião, o ministro Menezes Direito pediu vista do processo para melhor estudá-lo.
Na área em disputa vivem atualmente cerca de 18 mil índios de seis etnias, seis grandes produtores de arroz e 50 famílias de agricultores brancos, que se recusaram a deixar a área, apesar das indenizações oferecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Marco Antônio Soalheiro
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