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Indíos da Raposa Serra do Sol dizem que vão aguardar pacificamente decisão do STF

Indíos da Raposa Serra do Sol dizem que vão aguardar pacificamente decisão do STF

O Distrito de Surumu, área de maior tensão entre indígenas contrários e favoráveis à demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), amanheceu tranqüilo nesta quinta-feira, 28, um dia depois do adiamento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade da  homologação da reserva em área contínua.

O Supremo começou a analisar ação que questiona a demarcação na quarta-feira, 27, mas o julgamento foi suspenso depois que o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista do processo. O único a votar foi o relator, ministro Carlos Ayres Britto, que se manifestou a favor da manutenção da demarcação contínua.

Homens da Polícia Federal passaram a noite na área da reserva. Tanto os indígenas favoráveis à demarcação contínua quanto os ligados aos arrozeiros afirmam que aguardarão a decisão do Supremo de forma pacífica.

Ontem, o grupo ligado aos produtores de arroz chegou a comemorar com fogos de artifício a interrupção do julgamento. “O nosso pessoal ficou meio entristecido com a reação deles, mas depois ficou esclarecido que o único voto foi a nosso favor, pela demarcação contínua está um a zero”, afirmou o coordenador regional do Conselho indígena de Roraima (CIR), Walter de Oliveira.

Na avaliação dele, o voto favorável do ministro Carlos Ayres Britto sinaliza que o STF pode manter a homologação feita em 2005. “Vamos aguardar tranqüilos, porque até o momento não teve nenhum resultado ruim para nós”.

Já para o tuxaua (cacique) José Brazão, que apóia a permanência dos produtores de arroz, o pedido de vista vai ser a oportunidade para convencer os ministros que ainda não votaram “da verdade” sobre a Raposa Serra do Sol. “Tem uma parte do relatório [do ministro Carlos Ayres Britto] que não é verdadeira. Ele não buscou conhecer a fundo a realidade a história da Raposa. Quero sugerir aos ministros do STF que não trabalhem mais com inverdades”.

O tuxaua sugeriu, inclusive, que, em caso de manutenção da demarcação contínua, o Distrito de Surumu seja excluído da área da reserva. “Nós somos brasileiros, não queremos ficar aqui sob o controle de ONGs internacionais”.

O líder arrozeiro Paulo César Quartiero chega hoje a Boa Vista, por volta das 14h, no horário local (15h, em Brasília). Ontem, ele acompanhou o julgamento sobre o caso em Brasília.

Luana Lourenço

Agência Brasil

 

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