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CIR diz que ação é terrorista e pede proteção às comunidades

 O Conselho Indígena de Roraima (CIR), solicitou proteção às comunidades da Raposa Serra do Sol após a reação dos rizicultores à Operação Upatakon III, iniciada pela Polícia Federal no dia 27 de março e efetivada nesta segunda-feira, 31, com a chegada dos agentes à região de Surumu.

No final da tarde, lideranças do CIR reuniram-se com representantes da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Funai e Comitê Gestor da Presidência da República. O objetivo do coordenador da organização, Dionito José de Souza foi alertar para as ameaças e a vulnerabilidade a que estão submetidas as comunidades.
A preocupação do CIR aumentou depois que a ponte sobre o igarapé Araçá foi incendiada e totalmente destruída na tentativa dos arrozeiros de impedir a chegada da PF. Segundo os cálculos do CIR, aproximadamente 10.500 indígenas estão parcialmente isolados com a destruição da ponte.
“O atendimento de saúde fica prejudicado. São 10.500 indígenas, principalmente das regiões de Surumu e das Serras que poderão ficar sem assistência”, alertou Júlio Macuxi, assessor do Conselho. No início da noite a Secretaria de Educação comunicou, através de nota, a suspensão do fornecimento de merenda para as escolas dos municípios de Pacaraima, Uiramutã e Normandia, que abrangem a Raposa Serra do Sol.
No período da tarde, caminhões, carretas e colheitadeiras foram estacionados sobre a ponte sobre rio Surumu, entrada da reserva e formou-se um piquete para resistir à operação.O rizicultor Paulo César Quartieiro, presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, comandou pessoalmente a manifestação e foi preso pela PF. Ele é acusado pelos crimes de desacato à autoridade, desobediência civil, obstrução de rodovia federal e incitação à desordem pública.
Gonçalo Teixeira, administrador da Funai em Boa Vista informou que durante a madrugada teve que retirar do prédio da instituição os processos referentes aos indenizações dos arrozeiros e demais posseiros ilegais da Raposa Serra do Sol. “Fui avisado que o prédio seria invadido”, disse.
O administrador reforçou o pedido das lideranças em busca de proteção às comunidades da região de Surumu e colocou a Funai a disposição para auxiliar a PF. “Sabemos que foi só o começo. Sabemos também que a principais vítimas são as próprias comunidades”, frisou.
Nagib Lima, coordenador do Comitê Gestor da Presidência da República reconheceu a vulnerabilidade das comunidades. “Reconheço que existe uma pendência de três anos. Reconheço que a situação é perigosa, mas asseguro que a Operação não vai parar porque o Governo Federal está determinado a cumprir o decreto de homologação”, afirmou Lima.
Ele informou aos tuxauas que os órgãos federais têm 20 advogados de plantão em Boa Vista e Brasília para garantir que a Operação Upatakon 3 não seja interrompida por via judicial. Segundo Nagib, a operação deverá mobilizar mais de 300 agentes.

André Vasconcelos

 

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