|
||
| Reserva: fechamento da BR-174 freia desenvolvimento de Roraima |
|
O fechamento da Rodovia Federal, BR-174, no trecho que atravessa a terra indígena waimiri-atroari, causa transtornos tanto para os viajantes comuns como para os motoristas profissionais que levam e trazem cargas entre os Estados de Roraima e Amazonas desde a sua construção, no final da década de 70. Nos seus 970 quilômetros, abertos no centro da Amazônia, era projetada a esperança de povoamento da região, integrar o Brasil às Américas, possibilitando o escoamento de produtos produzidos no norte brasileiro através dos portos venezuelanos e fomentar o turismo na região, fato que a cada ano se confirma, com o intenso tráfego dos amazonenses que, cada vez mais, têm procurado as praias venezuelanas para desfrutar suas férias. A decisão de fechar o tráfego na rodovia durante as noites foi tomada pelo Exército brasileiro, ainda nos anos 70, que temia pela vida dos que precisavam deslocar de um Estado para outro, por ser do conhecimento de todos o posicionamento contrário a construção da estrada por parte dos índios, somando-se aos intensos conflitos ocorridos ao longo dos tempos. Com a saída do Exército do posto de controle, os indígenas passaram a controlar o tráfego de veículos no perímetro da reserva sob o argumento de que índios e animais silvestres poderiam ser atropelados, sendo que, ao longo da história, nunca houve registro de atropelamento de nenhum índio dentro da reserva. Desde então, instituições governamentais e privadas têm impetrado ações na Justiça, na tentativa de deixar a rodovia aberta em tempo integral, já que a convivência entre índios e não índios tornou-se mais amigável e, a partir da pavimentação da estrada, na década de 90, o aumento do turismo e o tráfego de veículos de carga ficou mais intenso entre os dois Estados. Durante uma simples conversa com os caminhoneiros que aguardavam amanhecer o dia para seguir suas viagens, constatou-se o clima de indignação comum a todos por acreditar ser essa uma decisão fora da realidade, pois, em nenhuma outra estrada do País tal fato se repete, aproveitando para denunciar que muitos tomavam remédios para não ter sono e chegar à corrente antes do horário do fechamento da estrada. "É totalmente absurdo o que fazem com nossa classe, pois temos horários e prazos para cumprir. Se essa corrente não existisse, muitos acidentes poderiam ser evitados, porque, no desespero para pegar a estrada aberta, muitos de nós acabam tomando estimulantes e, com alto estresse, acabam sofrendo acidentes", alertou o caminhoneiro Augusto Soares. Alternativas dadas pelos próprios caminhoneiros para amenizar a situação estaria no aumento do horário de fechamento da estrada passando das 18 horas para às 22 horas, e para o argumento do atropelamento de animais nas margens da estrada dentro da reserva, seria a limpeza imediata de um determinado perímetro às margens da rodovia. "Se as margens fossem limpas, os acidentes aconteceriam bem menos, porque da maneira que está um animal saí da mata direto para a pista e fica muito difícil desviar um caminhão que, vazio, pesa 17 toneladas", explicou um motorista que preferiu não se identificar, argumentando que passa muito por este trecho e, portanto, temeria por uma possível represália. Texto: Siddhartha Brasil
|














