Seg, 24 de Maio de 2010 09:43    | Imprimir |
Artigo: Igreja Católica prega a violência - Hiram Reis e Silva
“A maior ou menor degradação do ambiente depende de quanto um país está disposto a investir em medidas que reduzam ou compensem o impacto. A questão é saber se a sociedade está disposta a arcar com esse custo”.

(Rafael Schechtman, diretor do CBIE)

O desafio na construção de usinas hidrelétricas na Amazônia é proporcional à grandeza da região. O desafio ambiental foi enfrentado com a inserção de novas tecnologias que causam, em consequência, menores impactos à natureza. Nas hidrelétricas do Madeira o projeto, já em execução, utiliza nos dois complexos de geração de energia, as turbinas do tipo bulbo, que necessitam para sua operação de pequenas barragens e acarretam uma menor área inundada. Este tipo de turbina é adequado ao Rio Madeira porque ele possui grande volume de água na maior parte do ano. Os projetos dos canais para a passagem dos peixes que sobem o rio, no período da piracema, são sinuosos e de fundo irregular, procurando imitar o leito natural do rio e facilitar sua subida.

Religiosos Terroristas

A par da evolução tecnológica e da preocupação com o meio ambiente crescem também a desinformação e a atuação de entidades patrocinadas por capital alienígena que preferem que a região continue estagnada e sua população sem as mínimas condições de conforto ou progresso. A Igreja Católica continua sua campanha insidiosa de pregar a violência na tentativa de obstruir a construção de hidrelétricas na região amazônica. Os atos de violência estimulados e justificados pelos ‘discípulos de Cristo’ tem se tornado a tônica. O interessante é verificar que a mídia nacional e internacional só dão destaque à violência quando seus próprios ‘santos pregadores’ se tornam vítimas da dela.

Vamos relembrar o caso do engenheiro Paulo Fernando Rezende da Eletrobrás em 20 de maio de 2008 e da Cartilha criada, recentemente, pelo ‘Santo Padre’ de Santarém Edilberto Sena.

Indígenas e Belo Monte - Covardia Criminosa

O engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de inventário da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, foi a Altamira convidado pelos organizadores do ‘Encontro Xingu Vivo para Sempre’ para apresentar os estudos que estão sendo feitos sobre aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte. O encontro foi organizado pela Arquidiocese de Altamira e teve a participação de aproximadamente 2.500 pessoas, entre representantes de populações indígenas e ribeirinhas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e pesquisadores que discutiram projetos hidrelétricos e seus impactos na Bacia do Rio Xingu. Na terça-feira, 20 de maio, após ter realizado sua apresentação o engenheiro Rezende estava assistindo à exposição do terceiro palestrante, quando um grupo de índios o puxou pela camisa e o derrubou no chão e começou a golpeá-lo com bordunas e facões até ser cortado por um deles.

O bispo de Altamira Dom Erwin Krautler, presidente do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), lamentou a agressão, mas questionou a postura do engenheiro durante o encontro. “Os índios não queriam matar esse homem. Por outro lado tenho que dizer que o homem não usou de pedagogia para com os povos indígenas. Ele não entendeu a alma kaiapó, senão não teria acontecido nunca um incidente como este”, disse, ainda, que viu o fato como uma defesa dos indígenas - “Os índios se sentiram provocados”.

Cartilha pede reação violenta a índios e ribeirinhos da região

Folha de São Paulo, sábado, 15 de maio de 2010 - Por João Carlos Magalhães.

Agência Folha, em Belém.

“Uma cartilha bancada por ONGs incentiva índios e ribeirinhos a resistir violentamente caso o governo federal implante um complexo de cinco hidrelétricas na bacia do rio Tapajós, entre Amazonas e Pará.

A publicação contém o desenho - segundo o crédito, feito por um adolescente - de um índio carregando a cabeça cortada de um homem branco e diálogos de histórias em quadrinhos que incentivam a luta contra a ‘Eletromorte’ - uma referência à Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás na região.

Feita em janeiro deste ano, mas só lançada no último dia 1º, a cartilha pretende elucidar as ‘verdades e mentiras sobre o projeto’ e vem sendo distribuída para movimentos sociais e comunidades que devem ser atingidas pelas hidrelétricas. Foram impressos 10 mil exemplares da cartilha (6.000 já distribuídos), ao custo de R$ 22 mil, segundo seu criador, o padre de Santarém (1.431 km de Belém) Edilberto Sena.

O dinheiro veio, entre outros meios, de um projeto com recursos da Ford Foundation gerenciado pela Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), fundada por religiosos, e da Aliança Missionária Francisclariana. A cartilha é feita de capítulos, como ‘O porquê de tantas hidrelétricas’, nos quais o projeto é explicado e criticado.

Cada parágrafo é iniciado com a ilustração de uma marca de mão ensanguentada ou um círculo escorrendo sangue. Entre um capítulo e outro, aparecem histórias em quadrinhos, direcionadas a quem tem ‘menos estudo’, disse Sena. Em uma delas, uma personagem índia conversa com uma religiosa, a ‘irmã Marisol’, sobre as hidrelétricas. ‘Preocupada’ com as obras, a índia faz expressão de ódio e fala: ‘Mulher índia ajudar homem índio a flechar e cortar a cabeça de pariuat [branco] inimigo. Índia sabe usar facão. Nós não queremos hidrelétrica’. A personagem da religiosa diz: ‘Olha, filha, se deixarmos eles soltos, a Eletronorte quer afogar terras dos índios.’

Uma imagem de decapitação surge também no início da cartilha, em um desenho feito por dois meninos da etnia mundurucu, que estudam na 8ª série. Nos quadrinhos, peixes conversam temendo sua extinção. Outra ilustração mostra o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão como um lobo mau, que usa terno e gravata e afirma que não quer se ‘ajoelhar aos pés do IBAMA para conseguir licença ambiental’. O padre Sena defendeu a cartilha e disse que a violência vem, na verdade, do governo. ‘Se um ladrão entra em sua casa e você acorda, defende sua propriedade e ele morre, quem cometeu o crime?’, afirmou”.

Governo é quem agride, afirma padre

Folha de São Paulo, sábado, 15 de maio de 2010 - Por João Carlos Magalhães.

Agência Folha, em Belém.

“O padre Edilberto Sena, idealizador da cartilha, diz que uma eventual reação violenta seria apenas uma resposta à maneira como o governo federal impõe hidrelétricos à Amazônia. Em mensagem à Folha, apontou danos que o complexo previsto para o Tapajós traria. ‘Por que então uma cartilha reveladora desses fatos aparece como incitadora à violência? ’, disse. ‘Quem mesmo está planejando violência e crimes? Não é a Eletronorte, a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], o IBAMA, o Ministério de Minas e Energia? ’

‘Para os senhores da ‘Casa Grande’, criminoso foi Zumbi dos Palmares’, disse. ‘Quem ler a cartilha com olhar mais isento perceberá quem comete crime e incita à violência. ’ Graça Costa, coordenadora da Fase em Belém, diz que a radicalização dos moradores locais em relação a hidrelétricas na Amazônia ‘é pública’, mas não violenta. A Fase no Rio de Janeiro diz desconhecer o teor da cartilha e condenou qualquer incitação à violência”.

(*) Hiram Reis e Silva é Coronel de Engenharia, professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS), acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB), membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS) e colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional. Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
 

Comentários  

 
0 # Irineu Matthes 2010-05-28 14:05 Ocorrem duas situações: Há direitos de populações tradicionais que devem ser respeitados e oportunistas que se apropriam da situação para defender seus interesses em detrimento de uma causa que devia ser trabalhada sem manipular essas populações. E sempre religiosos, alguns inclusive extremamnete desonestos com em relação ao emprego dos recursos públicos.
Irineu Matthes
Castelo de Sonhos (PA)
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