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Coluna C & T: Diretor de Extensão – Daniel Nascimento-e-Silva

Os diretores de extensão são os verdadeiros executivos das organizações de ciência e tecnologia, na acepção plena do termo. Esses profissionais deveriam ser os principais intermediários entre a organização e seus ambientes de atuação porque o foco central de suas atuações é o suprimento das necessidades do ambiente a partir da capacidade que a organização deveria ter em inventar, criar aquilo que o ambiente necessita. Neste sentido, enquanto a atuação do pró-reitor de extensão é majoritariamente política, institucional, o papel do diretor de extensão é majoritariamente técnico, executivo, realizador, cumpridor dos acordos firmados entre a organização e os agentes ambientais externos e internos. Este artigo tem como objetivo descrever a função do diretor de extensão das organizações de ciência e tecnologia.

A essência da extensão é levar ao ambiente externo aquilo de que necessita para que seus agentes possam resolver seus problemas e superar desafios em busca de seus desenvolvimentos particulares. Pelo desenvolvimento dos agentes, particularmente, dá-se o desenvolvimento do ambiente global, de maneira que a função extensão das organizações de ciência e tecnologia contribui de maneira decisiva para tal. O conhecimento preciso das necessidades e demandas do ambiente externo é uma das preocupações do profissional de extensão. Não apenas o conhecimento no sentido estrito do termo, mas também a capacidade de transformar esse conhecimento em esquema de ação. Além de saber o que o ambiente deseja, é necessário que o diretor de extensão saiba articular as competências de sua organização para realizar o desejo do ambiente.

Técnicas de prospecção de negócios e de levantamento de demandas são fundamentais para o exercício da função. Mas isso não é suficiente. O conhecimento das demandas dá ao executivo o escopo do suprimento que deve ser realizado, mas saber desenhar negócios lhe permite visão panorâmica e, ao mesmo tempo, possibilidade de testes da viabilidade da proposta de suprimento, tanto técnica quanto econômico-financeira. Mas as exigências da função não param aí. É necessária alta capacidade articulatória, mais do que a exigida do próprio pró-reitor da área.

O diretor de extensão precisa fazer parte do cotidiano do corpo social da sua organização de ciência e tecnologia. E fazer parte significa, dentre outras coisas, saber como trabalham, como se organizam, conhecer a capacidade de realização de cada indivíduo em particular e dos grupos, os focos e áreas de especialidades e o portfólio de serviços prestados e produtos desenvolvidos. É preciso que esses conhecimentos estejam disponíveis em formato de memoriais, para que estejam acessíveis sempre que necessários. Noutras palavras, o diretor de extensão precisa criar um banco de dados sobre as competências do corpo social de sua organização.

Conhecimento do ambiente externo e conhecimento da capacidade institucional: eis os focos de atuação do diretor de extensão, para que possa cumprir os acordos geralmente celebrados pelo seu executivo principal com os agentes do ambiente externo. Mas outro universo existe para que as atividades de extensão sejam desenvolvidas: o ambiente interno. Os diretores de extensão precisam dar conta de uma série de demandas e necessidades de suas próprias organizações, como é do conhecimento de quase todos os seus componentes, foco que geralmente elas cumprem com razoável qualidade. Dito de outra forma, a lógica que se aplica para o ambiente externo é a mesma requerida para o ambiente interno.

Queremos chamar a atenção para o desdobramento da função de direção de extensão ser feita com adequação. Por adequação queremos que seja entendido apenas o desafio de suprir as necessidades de seus ambientes de atuação com os produtos e serviços de especialização de suas instituições. Quanto mais adequado o desafio, quanto mais a organização consegue detectar e suprir as necessidades ambientais, maior a probabilidade de que essa função se transforme em uma fonte quase inesgotável de recursos, especialmente de recursos financeiros, para a organização.

As atividades de extensão, por exemplo, são as responsáveis pela obtenção de grande parte de recursos por parte de universidades e centros de pesquisas do planeta. Profissionais de extensão conseguem recursos extraorçamentários de doação de ex-alunos que chegam a mais de metade das outras fontes de suas instituições, enquanto o desenvolvimento de produtos e prestação de serviços por certos institutos de pesquisas nacionais representam quase 100% de seu orçamento anual.

Certa organização amazônica de ciência e tecnologia precisava ampliar seu espaço físico com mais um prédio de quatro pavimentos, dedicados a salas de aulas e laboratórios de aula, mas que serviriam também para a prestação de serviços para a comunidade. Uma indústria local, carente de produtos e serviços do foco daquele espaço físico que a organização de ciência e tecnologia trabalharia, firmou convênio não apenas para a construção do prédio, mas também para equipá-lo e mantê-lo. Em troca, a organização de ciência e tecnologia se comprometeu a suprir algumas de suas graves carências de produtos e serviços da área. A articulação toda foi feita pelo diretor de extensão, a partir das negociações realizadas pelo seu pró-reitor.

As funções desenvolvidas pelo diretor de extensão são típicas de executivos de empresas. Ele precisa dominar ferramentas e procedimentos de marketing (responsável pela identificação e suprimento de necessidades), produção (desenho e execução de planos de produção no curto e longo prazos), tecnologia da informação e comunicação (desde o consumidor final até o fornecedor de última camada) e financeiro (que se preocupa com a movimentação de dinheiro desde o consumidor final até o fornecedor de última camada). Sem essas qualificações, quem estiver na posição no máximo fará apenas figuração.

(*) Daniel Nascimento-e-Silva, PhD, professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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