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Assembleia participa de ação ao Dia de Combate ao Trabalho Escravo

Socorro Santos – Foto: Edilson Rodrigues

No próximo sábado, 28, é lembrado em todo o País o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. E para sensibilizar a população sobre a importância de frear esse tipo de crime no Brasil, membros da Rede de Proteção à Pessoa em Roraima, sob a orientação do Ministério Público do Trabalho (MPT), realizarão uma ação educativa na saída de Boa Vista, no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a partir das 9h, sentido Mucajaí.

Entre os participantes desta Rede está o Núcleo de Promoção, Proteção e Atendimento às Vítimas de Tráfico de Pessoas em Roraima, da Procuradoria Especial da Mulher, órgão ligado à presidência da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), uma vez que o tráfico de pessoas tem como vertente a levada de cidadãos para o trabalho escravo em diversas regiões.

Na ocasião, os motoristas que passarem pela BR-174 sentido Boa Vista/Mucajaí receberão um material com informações sobre o trabalho escravo, as características do crime e a forma como agem os empregadores, bem como as formas de denúncias. “A grande importância do Núcleo é trabalhar na integralidade da Rede, onde as instituições podem somar com mais ações”, frisou a coordenadora do Núcleo, Socorro Santos. Ela reforçou que o trabalho escravo traz muitas conseqüências, entre elas dores e sofrimentos a homens e, principalmente mulheres subordinadas a exploração sexual.

Socorro acredita que movimentos de sensibilização nas rodovias roraimenses alcançam muito mais pessoas, inclusive municípios mais distantes da Capital. “Na estrada eles podem ter esse olhar de águia e fazer uma interferência, dar um telefonema, buscar ajuda”. Um dos principais focos do Núcleo é o cuidado com a mulher e por isso destacou situações vivenciadas, muitas vezes, pelas vítimas. “Quando a mulher é levada para fins sexuais, é levada a um cativeiro onde retira-se dela os documentos, a liberdade”, comentou.

A policial Rodoviária Federal Jardelina Macedo afirmou que o trabalho escravo está ligado, na maioria das vezes, ao tráfico de pessoas. Na campanha de sábado, o órgão distribuirá material, como cartilhas em que abordará os pontos que identificam o trabalho escravo. “Hoje não tem essa de correntes amarradas nos pés. O MTP sempre faz operações em fábricas de confecções em São Paulo, por exemplo, e encontram aquelas pessoas vivendo em condições de submundo, sem os documentos por estarem retidos”, lembrou.

Além desse exemplo, Jardelina lamentou que muitas pessoas ainda vivam de maneira subumana, sem alimentação, sem água potável, sem acesso a família e nem a uma moradia digna e segura. “Todas essas situações são configuradas, pela legislação, como trabalho escravo e precisa ser combatido”, disse.

Sobre a data

A data homenageia quatro servidores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) assassinados enquanto exerciam a função de fiscalização em Unaí, em Minas Gerais (MG), no ano de 2004. O episódio ficou conhecido como a Chacina de Unaí e, devido a isso, instituiu-se a data 28 de janeiro como momento para discussão da gravidade do trabalho escravo em pleno século XXI.

Dados do MTE disponíveis no endereço eletrônico da instituição mostram que em 2015, o órgão realizou 143 operações em combate ao trabalho escravo. Mato Grosso foi a região que mais recebeu a presença dos fiscais, com 28 operações, mas foi em Minas Gerais que identificaram mais de 430 trabalhadores em situação análoga a escravidão, em 21 operações. Roraima apareceu entre os últimos do ranking, com uma intervenção, um trabalhador em situação de escravidão e 12 autos de infração lavrados.

Yasmin Guedes

 

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