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Artigo: Realidade cruel – Marcos Coimbra

Está ficando cada vez mais difícil entender e sobreviver em nosso amado Brasil. Existem paradoxos revelados a cada instante capazes de demonstrar uma verdadeira esquizofrenia existente na sociedade. A esquizofrenia é caracterizada quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam em um sistema. O que é válido para qualquer conjunto, seja ele um indivíduo, um país ou o mundo.

 

No país há uma flagrante contradição entre o virtual e o real. O cidadão é submetido a uma verdadeira “lavagem cerebral” efetuada pelos meios de comunicação, os quais em curtos intervalos de tempo despejam uma enorme massa de propaganda oficial, direta e indireta, dos diversos entes federados, em especial da administração petista federal, bem como da administração do estado e do município do Rio de Janeiro, vendendo uma imagem virtual, inteiramente diferente da realidade vivida.

No plano federal, existe uma inflação oficial beirando o limite superior da meta (6,5% ao ano), sem falar na inflação represada (energia, combustíveis etc.), a qual fatalmente provocará sérias consequências nos índices adotados, após as eleições de outubro. O desemprego no país, segundo o DIEESE está em 11,1% e segundo a Pnad Contínua em 7,1%, indicadores muito mais realistas do que o dado oficial do IBGE de 4,9% para abril do corrente ano, devido aos critérios utilizados (nível de abrangência, taxa de desalento e outros). Se não como explicar o aumento expressivo do pagamento do seguro desemprego? Será em grande parte oriundo de fraudes? O cidadão vai acreditar em qual resultado, considerando uma diferença de mais de 100% entre os limites de variação?

O saldo negativo do Balanço de Pagamentos em Transações Correntes deverá ficar em torno de US$ 80 bilhões no corrente ano e não será coberto por investimentos diretos. O Passivo Externo ultrapassa o valor de um trilhão de reais, segundo o insuspeito e competente economista Reinaldo Gonçalves, o qual classifica a presente administração petista da seguinte forma: “A mediocridade esférica do governo Dilma estará no centro da campanha eleitoral de 2014.” A taxa de investimento é inferior a 18% e a taxa de poupança é menor do que 14%. O PIB deverá ter um modesto crescimento inferior a 1,5% no corrente ano.

Os bilionários negócios da Copa proporcionarão um resultado de cerca de US$ 4,5 bilhões à FIFA, sendo que pouco menos da metade deste valor de lucro líquido. Na ocasião do oferecimento do Brasil como sede da Copa, o ex-presidente Lula pensou, como de hábito, apenas no bônus, esquecendo o ônus. Agora, chegou a hora da verdade, que não é agradável no conjunto da obra. As empreiteiras ficaram muito felizes com os vultosos lucros obtidos, em especial com obras superfaturadas, políticos receberam e receberão percentuais significativos de participação destinados ao financiamento de campanhas eleitorais e ao proveito próprio e muito pouco sobrará para a população, em especial considerando-se o prometido há sete anos. Obras inacabadas em toda parte, principalmente nos arredores dos empreendimentos contratados. Das doze sedes, pelo menos em quatro herdaremos verdadeiros “elefantes brancos”, pois não há demanda possível. E Lula queria fazer em dezessete cidades.

No Rio de Janeiro e em São Paulo, particularmente, o trânsito é caótico. Inexiste mobilidade urbana e sim imobilidade. A criminosa derrubada do elevado da Perimetral é elogiada por “especialistas” diariamente nos jornais, apontando a vitória do transporte público sobre o particular, surgindo então a pergunta: Qual a qualidade dos serviços oferecidos? Alguma autoridade os usa? No Rio apenas existe um “linhão” de metrô, subdividido em duas pernas, sempre cheio, com ar condicionado precário, horários irregulares, frequentes paralisações. O transporte por ônibus é uma piada e o ferroviário é mínimo. Sob o pretexto de procura de “beleza” é feita a alegria de grandes construtoras e aumenta a especulação imobiliária, em prejuízo de milhões de pessoas que estão vivenciando um caos inimaginável, o qual ainda perdurará por vários anos para desespero do povo. A população apenas deve ir ao centro da cidade em função de razões imperiosas, pois sofre e sofrerá graves transtornos.

A greve de uma “dissidência” dos metroviários de São Paulo torna-se selvagem, já no seu quinto dia. Apesar de declarada abusiva e ilegal pelo Tribunal Regional do Trabalho, alguns poucos integrantes da categoria, apoiados por algumas dezenas de baderneiros profissionais, encobertos sob a denominação de membros de “movimentos sociais”, invadem as instalações do Metrô, arrombam portas e cadeados, agridem fisicamente colegas que estavam trabalhando e causam sérios danos a milhões de trabalhadores, impossibilitados de chegar aos seus destinos, com significativas repercussões nas atividades econômicas.

Em Brasília, 300 índios ocupam instalações públicas, sitiam o ministério da Justiça e um deles fere um policial com uma flechada. O interessante é que seu deslocamento foi feito com recursos públicos. Invasões a espaços públicos incluem a ocupação até por estrangeiros e surge a notícia de que existem transações ilegais.

Haverá saída para este caos?

(*) Marcos Coimbra é Professor, Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e Autor do livro Brasil Soberano. Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br

 

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