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Artigo: Papagaios-juntos – Amadeu Garrido de Paula

Maracanã vem do tupi-guarani paracan-anã, “papagaios-juntos”. A lenda, não sei se urbana, é a dos nomes traçadores do destino. O certo é que o estádio megalômano para 200 mil expectadores até hoje rende papagaiadas.

Orgulho justo para o Brasil, País nascente no pós-guerra, não prevíamos que nos desviaríamos tanto da curva espaço-tempo, a ponto de estarmos encalacrados numa das mais devastadoras crises sociais, humanas, políticas, institucionais, ideológicas, enfim generalizadas, de nossa curta história. Os papagaios-juntos não deixam de falar, obviamente sem pensar.

Lá se foram os papagaios políticos a desconcentrar nossos atletas na véspera da gloriosa final de 1950. Não faltaram tragos, para todos. Os champanhes animavam os papagaios. Até dar no que deu.

A maior tragédia futebolística de nosso País, superior às dos estonteantes 7×1. Porque os paracan-anãs, não só os presentes no estádio, mas de todo o Brasil, calaram-se no mais profundo silêncio que pode se abater sobre uma população. Soube (nasci no ano seguinte, menos desassossego), que meu pai, um pintor de paredes, teve as mãos paralisadas, depois do gol uruguaio. Como pintar no dia seguinte? E assim calou-se nosso Brasil, na mais profunda tristeza, que somente seria remida oito anos depois, nos pés de Pelé e seus companheiros, desta feita para calar os suecos.

E por lá – apesar do nome do jornalista Mário Filho – continuam os papagaios juntos, ante o Ministério Público, nas delações premiadas, nas cadeias de Bangu.

Uma joia de aproximadamente R$ 800 milhões para ornamentar o corpo real da primeira dama Adriana Ancelmo, combinada entre os paracans-anãs Sérgio Cabral e um fiel escudeiro da construção civil. Agora nomeado “puxa-saco”, nome que as aves falantes repetem com facilidade. Papagaios falam, mas, por óbvio, não são grandes estrategistas. Dá-ma – a joia – agora, porque o momento é infinitamente romântico, dar-te-ei a reforma do Maraca. E um pouco mais. Feito. A joia serviu de primeira parcela da propina. Assim, simples.

Tudo é investigação, nada é provado, tudo o que sei é que nada sei. O povo brasileiro está exausto de ouvir o disco quebrado, todas as noites, e a melancolia se transformar em pesadelos depressores.

Papagaios juntos, siameses. Não dá certo. Os tupis-garanis talvez quisessem dizer, em sua simplicidade das selvas: para cá não, anãs.

(*) Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

 

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