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Artigo: Cursos técnicos e emprego – Luiz Gonzaga Bertelli

Apesar de os índices de empregabilidade continuarem favoráveis ao trabalhador, os jovens sempre encontram mais dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, principalmente pela falta de experiência profissional ou mesmo pela baixa qualificação. Além do estágio e da aprendizagem, que são excelentes catalizadores para o início de carreira, o ensino técnico também aparece como um elemento importante para facilitar a conquista do tão almejado emprego. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), recém divulgada, mostra que 90% das duas mil pessoas entrevistadas com mais de 16 anos, acreditam que a formação em cursos técnicos proporciona mais oportunidades no mercado de trabalho. Para 53% dos respondentes, o rápido ingresso no mundo do trabalho é um dos principais motivos para buscar a profissionalização.

A pesquisa aponta ainda que apenas um em cada quatro entrevistados frequenta ou já frequentou algum curso de educação profissional no Brasil. Entre os motivos do baixo índice estão a falta de tempo (40%), falta de recursos (26%) e falta de interesse (22%). Uma das principais vantagens do ensino técnico é que, diferentemente dos cursos acadêmicos, está mais direcionado para a prática da profissão, com um currículo voltado para as necessidades das empresas. Com isso, o mercado torna-se mais favorável para quem adquire essa experiência e torna-se melhor para o jovem que consegue estagiar concomitantemente com o curso, ampliando a vivência prática da profissão.

Na análise de educadores, os cursos técnicos tiveram uma retração nos últimos anos pela facilidade atual de se alcançar cursos de graduação. Por causa disso, sobram oportunidades nas empresas para os jovens com perfil mais técnico. Em início de carreira, um técnico de enfermagem pode ganhar mais de R$ 2 mil. Um técnico de segurança chega a ter salário inicial superior a R$ 2,4 mil, o que pode representar uma ascensão financeira para jovens de áreas mais carentes. O ensino técnico também é visto como um poderoso mecanismo para amenizar a falta de mão de obra qualificada na indústria, que cresce a cada ano, atravancando a produtividade e o desenvolvimento econômico e social do país.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

 

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