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Artigo: Chegou inverno, chegou a tainha – Luiz Carlos Amorim

O inverno chegou e com ele a tainha. Inverno sem tainha não é inverno, e este ano a safra está boa, pois já foram pescadas muitas toneladas de tainha. Grandes lanços tem sido tirados do mar, sinal de que este inverno vai ser dos bons.Comer tainha no final do outono e começo do inverno é tradição na grande Florianópolis e em Santa Catarina. É até atração turística. Tem gente que vem de longe para ver as montanhas de tainhas nas diversas praias da nossa região. E não é para menos, o espetáculo é uma coisa linda de se ver e comer a tainha, além de saboroso, é preservar um costume que remonta de há muito tempo.

Eu, por exemplo, que nem sou ilhéu, sou lá do norte do estado, já comprei dezenas de tainhas e já fiz várias cambiras, já recheamos outro tanto delas, já comemos caldo e por aí afora. O que é cambira? Vou repetir: é a tainha escalada, salgada e secada ao sol. Depois de seca, a gente dessalga – aferventa, trocando a água umas duas vezes – e grelha ou frita para comer com pirão de água (farinha de mandioca com água fervente) – o que é uma delícia – ou com o que se preferir.

Tainha é uma iguaria que o catarinense fica esperando o ano todo, até que chegue o inverno e as redes se encham do peixe tradicional do inverno.

Queira Deus que a poluição do mar e a pesca indiscriminada de tainhas ovadas não diminua a incidência delas no nosso litoral. Porque inverno – ou prenúncio do inverno – sem tainha, pode ter o frio que for, mas não será a mesma coisa.

E o engraçado da coisa é que eu nem gostava de tainha. Eu só gostava daquele peixe feito cambira. Aprendi, com minha mãe, a comer o caldo de tainha, a tainha recheada, até a frita. É o nosso peixe mais tradicional. E é muito bom. É eclético, é versátil, é saboroso. E bonito. Acho que a tainha tem a mesma importância para nós, aqui de Santa Catarina, que a sardinha tem para os portugueses, principalmente nas festas dos santos de junho. O bacalhau tem uma representatividade muito grande no mundo todo, mas o que os portugueses comem sempre, assada na brasa, em qualquer ocasião, principalmente as festivas, é a sardinha.

Uma rede pejada de tainha é um dos cartões postais mais bonitos da Santa e bela Catarina.

luizcarlosamorim1(*) Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 35 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros.

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