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Artigo: As eleições e os intestinos – Waldir Fabrício dos Santos

Aristóteles, filósofo grego (384 a 322 a.C.) , era “cardiocentrista”. Para ele o coração – foco de calor para todo o organismo – devia abrigar as mais nobres faculdades, a começar pelo intelecto. O cérebro, glândula fria e mole, não passava de um refrigerador para o organismo. O coração servia para  pensar e acessoriamente, o ventre e as entranhas agitavam as emoções.

O “Papiro Smith”, é o  mais antigo documento conhecido que descreve o cérebro. Datado de dezessete séculos antes a.C., no Egito dos Faraós, indica claramente que as feridas no cérebro provocam paralisia nos membros, a perda de algumas sensações, da fala, da memória.  Hipócrates, ilustre médico grego do século IV a.C., resume a opinião da maioria: pensamos com o cérebro! (Dicas do livro: “penso, logo me engano”, de Jean-Pierre Lentin).

De acordo com o Dr Alexandre Feldman, em excelente artigo disponível em <http://www.medicinadoestilodevida.com.br/conexao-intestino-cerebro/>, sabe-se que há uma íntima relação entre intestino, comportamento , mente e cérebro. “O  intestino tem mais neurônios que a medula espinhal – cerca de 100 milhões – perdendo apenas para o cérebro. Além da serotonina, o intestino fabrica e utiliza mais de 30 neurotransmissores – substâncias envolvidas na transmissão e processamento das informações pelos neurônios, tanto do intestino quanto do cérebro. Todos esses neurônios e neurotransmissores são necessários para a complexa função que é a passagem dos alimentos pelo intestino – a chamada digestão”.

O que isso tem a ver com as eleições?  Com as campanhas eleitorais em andamento, faz-se necessário saber o que pensa o candidato mas também é de suma importância saber “por onde” ele pensa. Alguns pensam com o coração. Muito amor, promessas e juras eternas enquanto duram. Outros tocam profundamente seus eleitores mais carentes a partir do estômago, com providenciais “sextas” (sic) básicas  – pois só duram mesmo um fim de semana a partir da sexta-feira – , ou bolsas disso e daquilo e fazem das tripas o coração para ganharem os votos.

Outros usam o cérebro para pensar, o que é muito bom e assim contrapõem o argumento do saudoso senador e diplomata Roberto Campos: “ A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”. Boas ideias, bons planos, boa execução, sabem o que estão propondo e especialmente como vão implementa-los.

E há aqueles que usam todo o potencial dos intestinos para agitar as emoções, bem do jeito que  Aristóteles desconfiou e a ciência comprovou. Considerando o potencial dos neurônios dos intestinos, isso explica por quê  muitos postulantes a cargos públicos, bem intencionados e inteligentes até, conseguem propor algumas ações nas campanhas eleitorais mas quando estão no exercício do poder não conseguem acertar.

Os planos de governo e os respectivos projetos executivo-complementares precisam – independentemente do órgão que os geraram – transformar-se em ações concretas por mãos operosas  e eficazes. Se não saírem pelas mãos  e seguirem o curso normal, lá mais embaixo na interface com o meio-ambiente, as boas ideias tomarão aquele destino sanitário básico. Então, pense certo, com o órgão certo e exija o mesmo dos seus candidatos. Senão…! 

(*) Waldir Fabrício dos Santos (56) é engenheiro civil e pastor na Igreja Evangélica Congregacional em Toledo-PR (wwwfs@uol.com.br).

 

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