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Artigo: A ponte vai cair – Luiz Carlos Amorim

A ponte Hercílio Luz, o cartão postal da capital catarinense está em reforma há anos, décadas, na verdade. É a galinha de ovos de ouro de uns e outros: já foram gastos milhões e mais milhões de reais e a ponte nunca fica pronta. Parece que nunca ficará.

As empresas que estão “trabalhando” na ponte, nos últimos tempos, vão empurrando com a barriga como quase tudo o que foi feito nela, até agora e, inacreditavelmente, isso provocou a desconfiança dos nossos governantes. O Estado pediu esclarecimentos, formalmente, no início do mês de julho, à empresas  que realizam o trabalho de restauração da ponte Hercílio Luz, sobre o descumprimento do contrato firmado.

O Estado percebeu, finalmente, que as obras não têm progredido e as empresas, por outro lado, reclamam que não têm recebido pelo “trabalho” realizado. As obras estão paralisadas – e não é de agora – o que suscitou o descontentamento do governo catarinense, que até cogita a rescisão do contrato.

Ora, não entendo como só agora o Estado percebeu que a obra não anda, pois há muitos meses que a gente passa pela ponte e não se vê ninguém trabalhando lá. Só se vê movimento debaixo da ponte – a etapa atual consiste em colocar suporte sob a ponte para que ela não corra o risco de desabar quando o trabalho de restauração estiver sendo feito nela – quando a televisão vai lá fazer matéria.

O valor do contato assinado com as empresas é de cento e sessenta e três milhões de reais e cinquenta e dois milhões já foram pagos. O que foi feito com esses cinquenta e dois milhões é um mistério, pois é só olhar para a Hercílio Luz para ver que o dinheiro não foi aplicado lá. Deve ter sido enterrado debaixo da ponte. E ainda querem mais.

Uma das empresas que presta o serviço já teve dois contratos rescindidos pelo governo catarinense, conforme publicado na mídia impressa, na TV e na internet. E é responsável, ainda, pelas obras do novo terminal do aeroporto de Florianópolis e do novo acesso ao mesmo. Não dá pra desconfiar que há algo errado por aí?

Como já disse, está difícil matar a galinha os ovos de ouro, uma cornucópia ao contrário, onde se enfia dinheiro sem parar e não se sabe para onde ele vai. Quem fiscaliza essas obras? Não está na hora do governo acompanhar o serviço para só pagar se o que foi contratado estiver feito e bem feito? Parece não haver interesse nisso. A verdade é que mais uma vez os prazos de entrega da ponte restaurada, pronta para uso, não vai ser cumprido. Pra variar. E isto significa que a velha senhora pode ruir. Sim, a ponte pode cair, pois a ferrugem, a corrosão está avançando e o risco é cada vez maior.

Enquanto isso, a galinha continua pondo ovos de ouro.

(*) Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 34 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros. 

 

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