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Artigo: A aposentadoria e a prudência – Luiz Gonzaga Bertelli

Na polêmica sobre a reforma da Previdência, uma voz é pouco ouvida: a do jovem que recém ou ainda não ingressou no mercado de trabalho e está fora da categoria contribuinte do INSS, embora talvez seja os mais fortemente atingido, a longo prazo, por qualquer tipo de decisão, saiam ou não as mudanças. Se aprovadas as alterações, ele terá de planejar uma carreira mais longa para ter direito à aposentadoria. Em caso negativo, poderá até ter o benefício inviabilizado ou prejudicado, a se confirmarem as previsões do colapso do sistema previdenciário brasileiro, no formato em que está. Por exemplo, especialistas lembram que o País está no fim da benéfica janela demográfica (mais trabalhadores ativos do que aposentados) e citam pesquisa do IBGE, segundo a qual em 2030, serão 41,5 milhões de aposentados, ou seja, um em cada cinco brasileiros.

Pesquisa recente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que, entre os 54% contrários à reforma, 63% estão na veemente faixa dos 35 aos 54 anos de idade. Nenhuma surpresa, já que serão uma das primeiras a sofrer os efeitos da reforma, com idade limite em 65 anos e mais anos de contribuição. Já a geração dos 18 aos 30 anos parece mais bem informada e mais previdente: seis em cada 10 se prepararam para a aposentadoria, seja pagando o INSS de forma autônoma, seja com poupança ou previdência privada.

Que conclusão tirar rápido recorte da polêmica que envolve a chamada reforma-mãe da recuperação da economia? Na nossa opinião, seja qual for o desfecho – e, como diziam os antigos, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém –, o melhor é os jovens se envolverem no debate e começarem a entender que, daqui para a frente, seria bom rever o comportamento em relação ao dinheiro, visando à formação das reservas necessárias para garantir o futuro que desejam. Sugestão essa preventiva e válida também para os pais preocupados em melhorar e financiar a preparação dos filhos para o ingresso e/ou o sucesso no mercado de trabalho.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE

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