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Abandono de tratamento aumenta chances de mortalidade por tuberculose

Núcleo de Controle concluiu nesta quinta-feira, 17, capacitações para melhorar a assistência na rede básica - Foto: Ascom/SesauA taxa de abandono do tratamento contra a tuberculose é um dos principais desafios no combate à doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o máximo tolerável é a evasão de cinco em cada 100 pacientes, ou seja, 5%. Roraima ultrapassou essa média, e fechou o ano passado com 6,2% de evasão. A realidade é comum a todo o Brasil, onde 9% dos pacientes não levam a terapia até o fim.

Esse problema leva a outro ainda mais sério, pois quando há abandono do tratamento, a doença volta com maior gravidade, aumentando as chances de mortalidade, um indicador que também tem causado preocupação. Neste ano, sete pessoas já morreram com tuberculose. No ano passado, foram registrados 24 óbitos, sendo cinco ligados diretamente à doença e os demais por outras causas associadas, como o HIV, uso de drogas e doenças hepáticas.

Para reforçar a assistência à doença, o Núcleo Estadual de Controle da Tuberculose (NCT) realizou três dias de treinamentos a médicos e enfermeiros de todo o Estado. O objetivo foi capacitar estes profissionais para o diagnóstico precoce e o tratamento, o que é um dos meios para diminuir os números desta doença. A ação, realizada anualmente, foi concluída nesta quinta-feira, 17.

A técnica do Núcleo Estadual de Controle da Tuberculose, Elba Lamounier, explicou que o encontro teve uma boa representatividade de médicos e enfermeiros de distritos sanitários indígenas, sistema prisional e da atenção básica da capital e do interior do Estado. “A gente espera que as pessoas que vieram sejam multiplicadores, e que isso melhore a assistência lá na ponta, o que é o nosso objetivo”, explicou.

Apesar de ser uma doença com diagnóstico simples, tratamento altamente eficaz e medicamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a técnica explicou que a taxa de mortalidade de tuberculose tem aumentado. Não as mortes causadas especificamente pela doença, mas as associadas a outros agravos. Uma das causas desse aumento é o abandono do tratamento. “Isso geralmente está ligado a fatores sociais, como a desagregação familiar, que demandam a implantação de políticas de acolhimento dos pacientes em tratamento, que na maioria das vezes, os municípios não têm condições de dar”, explicou.

Sem o acompanhamento medicamentoso adequado da primeira vez, um segundo tratamento se torna mais mais difícil, com mais chances de resistências e efeitos colaterais. Isso aumenta as chances de mortalidade. O tratamento dura, no mínimo, seis meses, mas, dependendo da complexidade de cada caso, pode chegar até um ano e oito meses.

O principal sintoma do tuberculose é a tosse por mais de três semanas. Em alguns casos, o indivíduo pode apresentar febre, sudorese, cansaço, dor no peito, falta de apetite e emagrecimento e, nos casos mais avançados, pode aparecer escarro com sangue. Quem apresentar estes sintomas, isolados ou associados, deve procurar um posto de saúde o mais rápido possível, pois o tratamento é gratuito e deve ser iniciado imediatamente.

O tratamento inicia na unidade de saúde que recebeu o diagnóstico. Somente vão para as unidades de referência (como Hospital Geral de Roraima e Hospital Coronel Mota) os casos que apresentam complicações mais graves. “Mais importante que descobrir os casos é acompanhar e curar. O diagnóstico precoce e tratamento correto são a melhor forma de prevenção da doença. Mais de 95% dos casos são curados no primeiro tratamento, se este for feito corretamente”, pontuou.

Tuberculose

A tuberculose, transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch, e é provavelmente a doença infectocontagiosa que mais mortes ocasiona no Brasil. No primeiro semestre deste ano já foram notificados 60 novos casos da doença em Roraima. No ano passado, foram 169 novos casos, sendo 27 pessoas que não residem no Estado.

A principal forma de prevenção é a vacina BCG, aplicada principalmente na infância. A desnutrição, alcoolismo, uso de drogas ilícitas e de medicação imunossupressoras podem aumentar o risco de contrair a doença. Portadores do vírus HIV e de doenças como diabetes, por exemplo, podem desenvolver formas graves de tuberculose. Por isso, essas pessoas devem manter-se sob constante observação médica.

 

 

 

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