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17.12.07

 

Nome Errado

 

Pedro Cardoso da Costa (*)

 

Luís não é Luiz. É comum ao brasileiro ser envolvido em problemas em função de erro no seu nome. Quem trabalha num emprego que exija documento percebe que o nome dos brasileiros é escrito com variações.  

 

Nome próprio só deve ter uma única forma correta de escrever. Mas, não é isso que ocorre. O problema começa já com a certidão de nascimento. Muitas vezes, o nome colocado pelos cartorários é diferente do nome da pessoa. Isso fica mais claro quando pessoas adultas são registradas. Conheci um Reinaldo por mais de vinte anos até a certidão de nascimento torná-lo Renato.

 

Depois, em razão da quantidade excessiva de documentos que o brasileiro é obrigado a possuir, os nomes viram uma salada de fruta, especialmente os escritos com letras diferentes com a mesma pronúncia. Luiz e Luís, em dez vezes escritos, cinco se escreve com "s" e cinco com "z". Com as josefas ou jozefas ocorre o mesmo. Antonio, com ou sem acento, a mesma coisa. E as preposições são sempre subtraídas dos nomes. É raro uma pessoa ter seu nome grafado corretamente em todos os seus documentos.

 

Ora são os próprios sistemas de informática que não permitem o acento, ora não comportam todo o nome, e a abreviatura é inevitável. Aparentemente irrelevante, torna-se grave ao gerar prejuízo à pessoa, geralmente complica no momento da aposentadoria, de conseguir um benefício, de celebrar um contrato ou conseguir um empréstimo ou até ser condenado em lugar de homônimo. Ou seja, em qualquer situação em que o governo tenha predisposição ou interesse em complicar. A imprensa também escreve o nome da pessoa de várias formas na mesma reportagem. Em processos judiciais o nome muda a cada página, a cada menção.

 

Duas medidas simples poderiam amenizar o festival de erros. Maior atenção de quem escreve o nome e o cuidado do "dono" do seu nome em conferir se foi grafado corretamente. Assim, Luís não é Luiz nem Josefa é Jozefa.  

 

A data de nascimento costuma sofrer variações e também traz conseqüências graves. O nome dos pais e avós e o número dos documentos também mudam mais do que cotação em bolsa de valor. Trata-se de mais uma característica brasileira, praticar o erro e depois exigir a coisa certa. Bem provável que tenha trocado uns dez neste texto.

 

 

(*)Bel. Direito

Interlagos/SP

 

 

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